Estado perdeu quase 800 mil bovinos em um ano, mas ampliou a produção frigorífica, as exportações e o valor gerado por outras cadeias pecuárias
Mato Grosso do Sul terminou 2025 com menos bovinos nos pastos, mas com maior volume de animais abatidos e avanço expressivo nas exportações de carne. O contraste revela uma pecuária que produz mais com um estoque menor, ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre a capacidade de reposição do rebanho nos próximos anos.
O Estado contabilizava 17,94 milhões de bovinos em 31 de dezembro, menor número desde 1989. Em relação a 2024, quando havia 18,74 milhões de cabeças, a redução foi de quase 800 mil animais, equivalente a 4,3%.
Os números são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostrou que o rebanho brasileiro também diminuiu pelo segundo ano consecutivo, encerrando o período com 234,3 milhões de cabeças.
A queda em Mato Grosso do Sul interrompeu a recuperação observada em 2023, quando o plantel estadual havia alcançado 18,89 milhões de bovinos. Atualmente, o Estado ocupa a quinta posição entre os maiores rebanhos do País.
A diferença torna-se ainda mais evidente na comparação histórica. Em 2003, Mato Grosso do Sul liderava o ranking nacional com 24,98 milhões de cabeças. Desde então, o rebanho encolheu aproximadamente 7 milhões de animais.
Abate cresce apesar da redução do rebanho
Mesmo com menos gado contabilizado no encerramento do ano, os frigoríficos sul-mato-grossenses abateram 3,93 milhões de bovinos sob inspeção sanitária em 2025. O resultado representa crescimento de 4,7% sobre o ano anterior. A produção de carcaças ultrapassou 1 milhão de toneladas.
Os dois indicadores medem situações diferentes. A PPM registra o número de animais existentes no último dia do ano, enquanto a estatística de abate soma todos os bovinos processados pelos frigoríficos ao longo dos 12 meses.
Por isso, é possível aumentar a produção de carne e, simultaneamente, terminar o ano com um rebanho menor. O movimento pode refletir ganhos de produtividade, redução do tempo necessário para levar os animais ao peso de abate e maior retirada de bovinos das propriedades.
Para o economista Hudson Garcia, diretor da Agricon Consultoria, o desempenho pode estar associado à melhoria da alimentação, da genética e do manejo, mas também exige atenção.
“Isso pode envolver maior eficiência, com melhor alimentação, genética e redução de tempo até o abate, mas também pode refletir maior retirada de animais”, avaliou.
O principal ponto de alerta é a participação das fêmeas nesse processo. Caso o aumento dos abates tenha atingido uma quantidade elevada de matrizes, a oferta futura de bezerros poderá ser prejudicada.
“Se essa retirada atingir muitas matrizes, poderá comprometer a produção futura de bezerros. Precisamos olhar além do tamanho do rebanho e acompanhar a produção, os preços, os custos e a reposição dos animais”, acrescentou Garcia.
Exportações avançam
O menor número de bovinos também não impediu Mato Grosso do Sul de ampliar as vendas internacionais. O Estado exportou aproximadamente 347 mil toneladas de carne bovina em 2025, volume cerca de 35% superior ao do ano anterior.
A receita alcançou US$ 1,9 bilhão, crescimento de 56%. A carne permaneceu entre os principais produtos da pauta exportadora estadual, que encerrou o ano com recorde de US$ 10,7 bilhões em vendas ao exterior.
O avanço dos embarques e dos abates demonstra a força da indústria frigorífica, mas não significa necessariamente maior rentabilidade para os produtores. O resultado final das propriedades depende dos preços recebidos, do custo de reposição dos animais e das despesas com alimentação, medicamentos, transporte, trabalhadores e manutenção.
Ovos e suínos ganham espaço
A transformação da pecuária estadual não está limitada à bovinocultura. O efetivo de suínos cresceu 5,8% e chegou a 1,96 milhão de animais, maior patamar da série histórica. O número de galináceos avançou 4%, alcançando 35,5 milhões de cabeças.
A produção de ovos apresentou uma das maiores altas do ano. O volume passou de 113,4 milhões para 134,1 milhões de dúzias, expansão de 18,3%. O valor dessa produção chegou a R$ 855,2 milhões, crescimento de 26,2%.
Somados, os produtos de origem animal e a aquicultura geraram R$ 1,8 bilhão em 2025, alta de 11,8% e novo recorde estadual. Esse indicador não representa o valor comercial do rebanho bovino nem da carne abatida; reúne produções mensuradas pela PPM, como ovos, leite, mel e pescado.
Nem todas as atividades avançaram. A produção de leite caiu 3%, para 264,4 milhões de litros. A aquicultura recuou 9,3%, com 20,1 mil toneladas, e a produção de mel diminuiu 4,5%, chegando a 732 mil quilos.
Para Garcia, o crescimento da suinocultura e da produção de ovos mostra uma diversificação da pecuária estadual, mas ainda não caracteriza uma substituição da criação bovina.
Cota chinesa aumenta pressão sobre o setor
A China, principal destino da carne bovina brasileira, estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil em 2026. Dentro desse limite, permanece a tarifa regular de 12%. Somente os volumes excedentes ficam sujeitos à cobrança adicional de 55%, elevando a tarifa total para 67%. A medida faz parte de uma salvaguarda aplicada a diferentes países exportadores, não exclusivamente ao produto brasileiro.
Com o avanço dos embarques e o esgotamento do limite, frigoríficos passaram a buscar outros mercados para reduzir a dependência das compras chinesas. Dados do setor mostram que os embarques para a China perderam força, enquanto outros destinos ganharam participação.
O cenário adiciona incerteza a uma cadeia que, em Mato Grosso do Sul, combina aumento da produção de carne, expansão das exportações e redução acelerada do número de animais disponíveis nas propriedades.




Adalberto Andrighetti
outubro 3, 2026Não se engane, isso é preparação para o que vem por aí, JBS comprou laboratório para fabricação de carne de bancada, logo logo vamos ter Alcatra TIPO CARNE nos açougues e supermercados!!!