Se você acha que festa boa é aquela que acaba no dia seguinte, a história da Oktoberfest vai te provar que os nossos ancestrais sabiam muito bem como organizar um evento histórico. Bora entender como um casório da realeza virou o festival cultural mais famoso do planeta?
A história começa em 12 de outubro de 1810. O príncipe herdeiro Ludwig da Baviera (que mais tarde viria a ser o Rei Ludwig I) resolveu se casar com a princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen. Para celebrar a união, ele convidou toda a cidade de Munique – isso mesmo: toda a cidade! Para uma festa gigante em um campo aberto.
O campo foi batizado de Theresienwiese (Campo da Teresa) em homenagem à noiva. Presentaço, hein? Imagine você, noiva, ser presenteada com um parque inteiro? Hoje em dia, chamamos esse local carinhosamente de Wiesn.
O evento foi tão lendário, com direito a corridas de cavalos e muita comida, que todos pediram para que fizessem a festa novamente no ano seguinte. E no outro ano. E no outro ano também… E sucessivamente.
No começo, a Oktoberfest não era focada só na cerveja. As famosas corridas de cavalos eram a principal atração esportiva. Com o tempo, as barracas de comida e bebida começaram a se estruturar mais para receber as pessoas.
Por volta de 1896, as tradicionais tendas (Festzelt) – que cabem em torno de 6 a 10 mil pessoas em uma única tenda – começaram a surgir, substituindo as barraquinhas de rua.
E a festança começou a ser “festada” em setembro, e não mais em outubro, porque ninguém aguentava a friaca, neve e aquele ventinho de dar dor nas costas. Em setembro o clima é mais agradável e a galera animava sair de suas tocas.
Agora segura o queixo pra ele não cair: Se você acha que a Oktoberfest é só um festival comum, veja só essas tradições:
1 – A festa só começa oficialmente de verdade quando o atual prefeito de Munique abre o primeiro barril de cerveja com uma martelada e grita “O’ Zapft is!” (que significa “Está aberto!”). E há ainda torcida para ganhar o bolão: com quantos golpes o prefeito vai conseguir abrir o barril de madeira? O recorde histórico foi de apenas dois golpes!
2 – A cerveja servida na Oktoberfest não é qualquer uma. Ela segue rigorosamente a Reinheitsgebot (Lei da Pureza da Cerveja de 1516), contendo apenas água, cevada, lúpulo e levedura. E só as cervejarias tradicionais de Munique podem montar tendas lá. Sabia que existem opções zero álcool também?
3 – E as famosas canecas Masskrug que cabem 1 litro inteiro de chope? Pesa o braço de quem não trabalha o tríceps na academia. Mas os alemães têm toda uma técnica pra segurá-las sem passar vergonha.
4 – Moda sustentável e milenar: O famoso traje tradicional — o Dirndl (vestido com espartilho para elas) e o Lederhosen (bermuda de couro com suspensório para eles) — não é fantasia. É a alta costura bávara tradicional, usada com muito orgulho tanto por jovens como por idosos.
Pra finalizar, a dica que vale ouro: adicione na sua Bucket List!
A Oktoberfest prova que algumas tradições simplesmente não envelhecem. Misturar história, música folk com releituras modernas, ou músicas modernas tocadas na sanfona e trompetes e trombones, amizades improváveis dividindo a mesma mesa (acredite: depois de um caneco de chope você vai passar a conversar até em alemão!) e milhões de litros de cerveja consumidos em apenas 15 dias, é a definição máxima de um evento icônico que transcende gerações.
Agora me diz: se você ganhasse uma passagem bate-volta para Munique amanhã, qual seria a primeira coisa que você faria ao pisar na Wiesn?
Prost!
Por: Flavia & Leo do Beer



