Banner TopoBanner Topo
Destaques Economia Mato Grosso do Sul Política

CGU aponta sobrepreço, materiais não entregues e lousas paradas em emenda Pix destinada a MS

Principais problemas foram identificados em compras para creches de Maracaju, uma escola de Campo Grande e no almoxarifado da Secretaria de Educação

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de superfaturamento, pagamento por produtos não entregues e desperdício na aplicação de uma emenda Pix de R$ 18,1 milhões destinada ao Governo de Mato Grosso do Sul.

As suspeitas estão concentradas principalmente em recursos administrados pela Secretaria Estadual de Educação (SED). Segundo o relatório, o prejuízo potencial chega a pelo menos R$ 822,7 mil em compras de materiais pedagógicos.

A emenda, indicada pela senadora Soraya Thronicke, foi dividida entre quatro órgãos: R$ 7,3 milhões para a SED, R$ 9 milhões para a Agência de Habitação Popular (Agehab), R$ 1,1 milhão para a Fundação de Cultura e R$ 700 mil para a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

A auditoria avaliou a execução dos recursos pelo governo estadual. A indicação da emenda pela parlamentar não significa participação nas contratações ou nas irregularidades apontadas.

Onde estão as principais suspeitas

Nas unidades municipais de educação infantil de Maracaju, a CGU analisou uma amostra de 22 produtos e encontrou preços, em média, 83,09% superiores aos valores de referência.

Durante as inspeções, os auditores também não localizaram brinquedos e materiais que haviam sido pagos, como varais numéricos, tobogãs infláveis, camas elásticas e outros itens pedagógicos.

Parte dos produtos encontrados permanecia dentro de caixas por falta de espaço nas creches. Brinquedos maiores teriam sido instalados de maneira improvisada em corredores. O lote custou R$ 192,9 mil.

Na Escola Estadual Silvio de Oliveira dos Santos, em Campo Grande, a compra de móveis e equipamentos apresentou sobrepreço estimado em 98,43%.

Do total apontado como superfaturamento, aproximadamente R$ 748,2 mil correspondem a preços acima dos valores de mercado em aquisições realizadas por Associações de Pais e Mestres (APMs). Outros R$ 74,4 mil são referentes a mercadorias pagas, mas não entregues.

A CGU também relatou falhas na documentação das compras. Em alguns casos, não havia processos administrativos formalmente organizados, apenas notas fiscais e papéis avulsos.

Outro problema foi encontrado no almoxarifado da Secretaria de Educação. Das 91 lousas digitais adquiridas em um contrato de R$ 4,9 milhões, 14 estavam armazenadas desde novembro de 2023, sem distribuição ou utilização. Os equipamentos parados foram avaliados em R$ 763 mil.

A auditoria questionou ainda a pesquisa de preços realizada antes da adesão a uma ata de registro vencida pela MKS Soluções Comerciais e Distribuição de Materiais. Conforme o relatório, a adesão já havia sido autorizada pelo menos um mês antes das cotações, o que prejudicaria a comprovação de que a compra era vantajosa para o Estado.

Falhas atingem transparência e prestação de contas

O pente-fino alcançou 30 emendas Pix repassadas ao governo estadual entre 2021 e 2024, somando R$ 136,2 milhões. A fiscalização foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal para verificar transparência, legalidade e rastreabilidade.

Entre as 30 transferências analisadas, 14 apresentaram planos de trabalho considerados genéricos ou inadequados. Em 24, o Estado não comprovou ter comunicado os conselhos locais responsáveis pela fiscalização. Outras 11 estavam sem relatório de gestão no Transferegov.br.

A CGU constatou ainda que o Portal da Transparência estadual não disponibilizava informações detalhadas sobre licitações, contratos, fornecedores, notas fiscais e execução das emendas. A página apenas encaminhava o usuário ao sistema federal, onde aparecia o valor transferido.

Sobre as lousas digitais, a SED afirmou que a contratação teve parecer jurídico favorável e que a adesão à ata foi motivada pela urgência do atendimento às escolas. A pasta alegou que realizar um novo pregão levaria mais tempo.

A secretaria informou que as 14 lousas armazenadas seriam destinadas à Escola Estadual Manoel da Costa Lima, em Bataguassu, mas a entrega foi adiada devido a obras de adequação no prédio.

Em relação à transparência, a Ouvidoria-Geral do Estado destacou o desempenho de Mato Grosso do Sul em avaliações nacionais e afirmou que foram criados canais específicos para consulta. Segundo a CGU, porém, não houve manifestação formal sobre o sobrepreço nas compras das APMs nem sobre os materiais pagos e não entregues.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Política

Vereadores acompanham anúncio de pavimentação e entrega de materiais em Três Lagoas

There are many variations of passages of Lorem Ipsum available but the majority have suffered alteration in that some injected
Política

Câmara de Três Lagoas analisa projetos sobre resíduos e agentes de saúde

There are many variations of passages of Lorem Ipsum available but the majority have suffered alteration in that some injected