Depois de mais de uma década de paralisação, a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3) começa a produzir seus primeiros reflexos em Três Lagoas. Embora as grandes estruturas ainda não tenham voltado a ocupar o canteiro de obras, a engrenagem que dará suporte ao empreendimento já está em funcionamento, movimentando contratações, instalações empresariais e expectativas em diversos setores da economia local.
Nos últimos dias, empresas responsáveis pelas primeiras etapas do projeto iniciaram o processo de estruturação na cidade. Escritórios administrativos começaram a ser montados e o recrutamento de trabalhadores já mobiliza centenas de profissionais interessados em participar daquela que é considerada uma das maiores obras industriais em andamento no país.
A Casa do Trabalhador passou a concentrar o processo de seleção da mão de obra, que deverá crescer gradualmente conforme o cronograma físico do empreendimento avançar. As primeiras oportunidades contemplam funções ligadas à construção civil e à implantação da infraestrutura inicial da obra.

A prioridade estabelecida neste momento é aproveitar a mão de obra local. A orientação tem sido direcionar as vagas, inicialmente, aos trabalhadores residentes em Três Lagoas, permitindo que a população da cidade seja a primeira beneficiada pelo novo ciclo de investimentos.
Somente nesta semana, cerca de 160 candidatos participaram dos primeiros processos seletivos. A expectativa é que esse número aumente nos próximos meses, à medida que novas empresas assumam lotes da obra e iniciem suas respectivas frentes de trabalho.
Além do mercado de trabalho, outros segmentos já começam a sentir os efeitos da retomada. Imobiliárias relatam aumento na procura por imóveis comerciais e residenciais, enquanto setores ligados à hospedagem, alimentação e prestação de serviços acompanham com expectativa a chegada de novos profissionais ao município.
O ano de 2026 deverá ser marcado principalmente pela mobilização do empreendimento, instalação dos canteiros, contratação das equipes iniciais e execução das primeiras intervenções estruturais. O pico de movimentação, no entanto, é esperado para 2027, quando diferentes lotes da obra estarão simultaneamente em execução.
A UFN-3 é considerada estratégica para o país por sua capacidade de ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência das importações. Quando concluída, a unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano, além de amônia utilizada pela indústria química e agrícola.
Paralisada desde 2014, a fábrica possui cerca de 81% das obras concluídas. Para finalizar o empreendimento, os investimentos previstos giram em torno de R$ 5 bilhões.
A expectativa do setor produtivo é que a retomada gere aproximadamente oito mil empregos diretos e indiretos ao longo das próximas etapas, consolidando um novo ciclo de desenvolvimento econômico para Três Lagoas e reforçando a posição do município como um dos principais polos industriais de Mato Grosso do Sul.
O avanço das atividades também tem atraído atenção nacional. Lideranças políticas acompanham de perto a retomada do projeto e existe a possibilidade de que a UFN-3 integre a agenda presidencial durante uma visita de autoridades federais ao Estado ainda neste mês, reforçando a importância estratégica do empreendimento para o setor de fertilizantes brasileiro.


