Um levantamento divulgado pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) revelou diferenças expressivas na remuneração dos professores da rede pública entre os municípios sul-mato-grossenses. Em alguns casos, a distância salarial supera R$ 7 mil, evidenciando os desafios relacionados à valorização profissional na educação básica.
Os dados foram apresentados nesta semana com o objetivo de acompanhar o cumprimento do Piso Nacional do Magistério, atualmente fixado em R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais.
Entre os destaques positivos do ranking está Três Lagoas, que aparece com os maiores vencimentos do Estado tanto para profissionais com formação de nível médio quanto para aqueles com ensino superior.
No caso dos professores de nível médio, o município oferece remuneração de R$ 7.775,06, liderando a lista estadual. Na sequência aparecem Sidrolândia (R$ 7.440,60), Corumbá (R$ 6.553,04), Tacuru (R$ 6.418,10) e Angélica (R$ 6.375,00).
Já entre os profissionais com formação superior, Três Lagoas também ocupa a primeira colocação, com salário de R$ 11.662,59 para jornada de 40 horas semanais. São Gabriel do Oeste aparece em segundo lugar, com R$ 10.192,97, seguido por Ribas do Rio Pardo (R$ 9.438,80), Aquidauana (R$ 9.058,40) e Campo Grande (R$ 9.028,09).
Municípios abaixo do piso
O estudo também aponta que parte dos municípios ainda enfrenta dificuldades para cumprir integralmente a legislação federal.
Entre os profissionais de nível médio, 17 municípios registram remuneração abaixo do piso nacional. Entre eles estão Caracol, Rio Negro, Aral Moreira, Jateí, Juti, Dois Irmãos do Buriti, Jaraguari, Selvíria, Sete Quedas e Anaurilândia.
A Fetems também cita municípios que, segundo a entidade, não aplicam corretamente a política de carreira prevista na legislação, motivo pelo qual os salários não foram incluídos na divulgação detalhada. Nesse grupo estão Água Clara, Brasilândia, Chapadão do Sul, Batayporã, Paraíso das Águas, Paranaíba e Rochedo.
No ensino superior, apenas dois municípios aparecem abaixo do piso nacional: Brasilândia e Sete Quedas.
Novo piso nacional
Os dados foram divulgados após a sanção da Lei Federal nº 15.437/2026, que estabeleceu o novo piso salarial do magistério em R$ 5.130,63. O reajuste representa aumento de 5,4% em relação ao valor anterior, superando a inflação do período.
A legislação também determina que o piso seja atualizado anualmente e amplia a garantia do benefício para profissionais contratados por tempo determinado, assegurando tratamento semelhante ao dos demais integrantes da rede pública de ensino.
Valorização profissional
Para a Fetems, o levantamento serve como instrumento de transparência e estímulo para que os gestores públicos ampliem os investimentos na carreira docente.
A entidade defende que a valorização dos profissionais da educação é fundamental para o fortalecimento da escola pública e para a melhoria dos indicadores de ensino em Mato Grosso do Sul.
Enquanto algumas cidades já oferecem remunerações significativamente acima do piso nacional, outras ainda enfrentam o desafio de adequar seus planos de carreira e garantir o cumprimento integral da legislação vigente.


