O músico Caio César Pereira Nascimento irá a júri popular pela suspeita do assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, morta a facadas em 12 de fevereiro de 2025, em Campo Grande. A decisão é do juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que pronunciou o réu pelos crimes de feminicídio, perseguição, violência psicológica e cárcere privado. A data do julgamento ainda não foi definida.
Na decisão, o magistrado entendeu que há indícios suficientes para que Caio seja submetido ao Tribunal do Júri pelos quatro crimes. Por outro lado, ele foi impronunciado nas acusações de tentativa de homicídio contra um amigo da vítima e de divulgação de cena de nudez, por falta de provas consideradas suficientes nesta fase do processo.
A defesa do acusado informou que a pronúncia não representa condenação e destacou que poderá recorrer da decisão, assim como o Ministério Público.
Crime ocorreu horas após denúncia
Vanessa Ricarte foi assassinada poucas horas depois de procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para denunciar agressões praticadas pelo então ex-noivo.
Na tarde do mesmo dia, ela retornou à residência acompanhada de um amigo para retirar seus pertences, quando foi atacada por Caio, que a esfaqueou na região do tórax. A jornalista chegou a ser socorrida e encaminhada à Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos.
Um vizinho relatou ter ouvido os pedidos de socorro e presenciado parte da agressão. Segundo ele, o músico ainda tentou avançar contra quem tentava impedir o crime. A Polícia Militar chegou ao local poucos minutos depois e efetuou a prisão em flagrante.
Histórico de violência
As investigações revelaram que Caio já possuía um histórico de denúncias por violência doméstica antes do assassinato de Vanessa. Registros policiais apontam ocorrências envolvendo agressões físicas, violência psicológica, perseguição e ameaças contra ex-companheiras desde 2020.
Vanessa também informou às autoridades que o ex-noivo havia divulgado imagens íntimas suas nas redes sociais sem autorização, além de fazer publicações ofensivas com o objetivo de expô-la.
O caso teve ampla repercussão nacional e reacendeu o debate sobre o atendimento prestado às mulheres vítimas de violência doméstica. Áudios gravados pela jornalista logo após deixar a Deam relataram insatisfação com o acolhimento recebido na delegacia, provocando uma série de questionamentos sobre os protocolos de atendimento e motivando discussões sobre a necessidade de aprimorar a rede de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul.


