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Sindicatos perdem espaço e representam apenas 6 em cada 100 trabalhadores de MS

Em 13 anos, número de associados caiu quase pela metade, enquanto cooperativas ensaiaram uma recuperação no período mais recente

Em 2012, aproximadamente um em cada sete trabalhadores ocupados de Mato Grosso do Sul era associado a algum sindicato. Em 2025, essa relação passou a ser de apenas um para cada 17. O retrato mais recente do mercado de trabalho mostra uma mudança expressiva na forma como os trabalhadores do Estado se organizam e são representados.

O número de sindicalizados caiu de 170 mil para 88 mil no intervalo de 13 anos. São 82 mil associados a menos, retração de 48,2%. Proporcionalmente, a participação dos sindicatos entre as pessoas ocupadas com 14 anos ou mais despencou de 14,5% para 6%.

Os dados integram o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre características adicionais do mercado de trabalho.

A pesquisa dimensiona o esvaziamento, mas não aponta uma causa isolada para o movimento. O que os números deixam claro é que o crescimento da população ocupada não foi acompanhado pelo fortalecimento da sindicalização.

A redução atingiu trabalhadores dos dois sexos, embora tenha sido mais acentuada entre os homens.

Em 2012, Mato Grosso do Sul possuía 106 mil trabalhadores sindicalizados. Esse grupo representava 15,2% dos homens ocupados no Estado. Treze anos depois, o total havia recuado para 50 mil e a participação, para 6,1%.

A diferença representa a perda de 56 mil associados, equivalente a uma queda de 52,8%.

Entre as mulheres, o número de sindicalizadas passou de 64 mil para 37 mil. O percentual dentro da população feminina ocupada caiu de 13,4% para 5,8%, redução de 42,2% em números absolutos.

A distância entre os sexos, no entanto, praticamente desapareceu. Em 2012, havia diferença de 1,8 ponto percentual entre homens e mulheres sindicalizados. Em 2025, essa distância caiu para apenas 0,3 ponto.

A aproximação não ocorreu pelo avanço da participação feminina, mas pelo forte encolhimento da sindicalização nos dois grupos.

Cooperativas seguem caminho diferente

Enquanto os sindicatos perderam quase metade de seus associados, as cooperativas de trabalho ou produção registraram uma reação no levantamento mais recente.

Mato Grosso do Sul possuía, em 2025, cerca de 389 mil empregadores e trabalhadores por conta própria. Desse contingente, 19 mil participavam de alguma cooperativa, o equivalente a 4,8%.

O resultado supera os 4,2% registrados em 2024 e interrompe dois anos de estabilidade. Ainda assim, a participação permanece abaixo do patamar observado no começo da série histórica.

Em 2012, o Estado contabilizava 275 mil empregadores e trabalhadores por conta própria. Entre eles, 16 mil eram cooperados, representando 5,9% do grupo.

Isso significa que as cooperativas ganharam três mil associados em números absolutos durante o período, mas perderam participação proporcional porque o universo de empreendedores e profissionais autônomos cresceu em ritmo mais acelerado.

No ranking nacional, Mato Grosso do Sul aparece na décima posição entre os estados com maior proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria vinculados a cooperativas.

O Rio Grande do Sul lidera a classificação, com 8,7%, seguido por Santa Catarina, com 7,8%. O Distrito Federal ocupa a última posição, com 2,4%.

Os dois indicadores revelam movimentos distintos. A representação sindical atravessa um processo prolongado de perda de associados, enquanto o cooperativismo apresenta uma recuperação recente — ainda insuficiente, porém, para retomar a participação que possuía há 13 anos.

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