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Safra recorde mantém fretes agrícolas em alta e reforça pressão logística em Mato Grosso do Sul

Mesmo com o encerramento da colheita das principais culturas de verão, o transporte rodoviário de grãos continua aquecido em Mato Grosso do Sul e em outras regiões produtoras do país. A avaliação consta na edição de junho do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta terça-feira (30), que aponta a perspectiva de uma safra recorde como principal fator para a manutenção dos preços dos fretes em níveis elevados.

Tradicionalmente, o período entre o fim da colheita da soja e o início da intensificação da segunda safra costuma registrar redução na demanda por transporte e, consequentemente, queda nos valores cobrados pelo frete. Neste ano, porém, o cenário é diferente.

Segundo a Conab, a produção recorde de soja, com incremento de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, continua impulsionando o escoamento da produção e mantendo elevada a procura por caminhões nas principais rotas do agronegócio.

“O comportamento esperado seria de redução nos preços após o pico da colheita. No entanto, a demanda segue aquecida e os valores permanecem próximos aos registrados entre fevereiro e março”, explica o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

Mato Grosso do Sul mantém demanda elevada

No caso de Mato Grosso do Sul, o boletim aponta que o mercado de fretes rodoviários permaneceu sob forte pressão logística ao longo de maio.

Mesmo com uma desaceleração natural após o encerramento da safra de verão, o fluxo contínuo de cargas destinadas ao mercado interno e às exportações sustentou a demanda por transporte de grãos, impedindo uma redução mais significativa nos preços.

A análise indica que o Estado continua desempenhando papel estratégico no escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, especialmente diante do crescimento da produção e da consolidação de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, os preços dos fretes registraram apenas pequenas oscilações e permaneceram praticamente estáveis, ainda em patamares considerados elevados.

No Distrito Federal e no Maranhão houve aumento moderado nos valores, impulsionado pelo custo do diesel e pelo ritmo da colheita de soja e milho.

Já em estados como Goiás, Bahia, Piauí e São Paulo, a Conab identificou uma desaceleração temporária na demanda por transporte, reflexo do calendário agrícola e da redução momentânea do volume de cargas disponíveis.

O boletim também revela o bom desempenho das exportações brasileiras de grãos.

Entre janeiro e maio deste ano, o país embarcou 55,1 milhões de toneladas de soja, tendo os portos do Arco Norte como principal corredor logístico, responsáveis por 38,5% do volume exportado. O Porto de Santos respondeu por 36,8% das cargas, seguido por Paranaguá e São Francisco do Sul.

As exportações de milho também cresceram no período, alcançando 7,5 milhões de toneladas, acima dos 6,1 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

Fertilizantes preocupam o mercado

Apesar do bom momento das commodities agrícolas, a Conab alerta para fatores que ainda preocupam o setor produtivo.

Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil importou 15,05 milhões de toneladas de fertilizantes, volume ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo a Companhia, o mercado acompanha com atenção os elevados custos dos insumos, as incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e os possíveis impactos climáticos relacionados ao fenômeno El Niño, que poderá alterar o regime de chuvas e influenciar a produção agrícola nos próximos meses.

A combinação desses fatores reforça a necessidade de planejamento logístico e de investimentos em infraestrutura para garantir competitividade ao agronegócio brasileiro diante da perspectiva de novas safras recordes.

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