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Riedel aposta em integração logística para ampliar conexões de Mato Grosso do Sul

Plano de governo apresentado pelo candidato à reeleição prevê elevar a malha estadual pavimentada para 6.660 quilômetros até 2030 e articular estradas, aeroportos, ferrovias e hidrovias.

Com dimensões territoriais amplas e uma economia distribuída por diferentes regiões, Mato Grosso do Sul depende da infraestrutura para aproximar municípios, garantir o acesso a serviços e escoar sua produção. Essa realidade ocupa espaço central no plano de governo de Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, para o período de 2027 a 2030.

A proposta estabelece a continuidade dos investimentos rodoviários e defende uma integração maior entre os diferentes meios de transporte. A intenção é transformar estradas, aeroportos, ferrovias, hidrovias e corredores internacionais em partes de uma mesma rede logística.

Entre as metas apresentadas está a ampliação da malha estadual pavimentada para 6.660 quilômetros até 2030. O objetivo é fazer com que mais da metade das rodovias sob responsabilidade do Estado conte com pavimentação.

Em 2023, a extensão pavimentada somava 5.131 quilômetros. Conforme o planejamento divulgado, esse número deverá alcançar 5.988 quilômetros até o encerramento da atual gestão. Para atingir a meta seguinte, o projeto prevê acrescentar outros 672 quilômetros durante um eventual segundo mandato.

Expansão da rede rodoviária

As rodovias continuam como o principal eixo do planejamento logístico. Segundo o balanço apresentado no plano, mais de R$ 2 bilhões foram investidos entre 2023 e 2025, período no qual 1.153 quilômetros receberam pavimentação e 517 quilômetros passaram por restauração.

Também foram substituídas mais de 69 pontes de madeira por estruturas de concreto. No Pantanal, as intervenções incluíram mais de 500 quilômetros de revestimento primário, medida utilizada para melhorar as condições de tráfego em estradas não pavimentadas.

Para 2026 e 2027, a previsão é mobilizar mais R$ 3,1 bilhões em obras rodoviárias. O cronograma, entretanto, dependerá da contratação, execução e conclusão dos projetos que integram a carteira estadual.

A proposta sustenta que a melhoria das estradas deve produzir efeitos que vão além do transporte de mercadorias. Rodovias em melhores condições podem reduzir o tempo de viagem, aumentar a segurança e facilitar o deslocamento de moradores até escolas, hospitais, postos de trabalho e serviços públicos.

Na avaliação de Riedel, o investimento realizado em um corredor produtivo também modifica a rotina das comunidades atendidas. O candidato defende que a expansão econômica precisa ser acompanhada por ganhos concretos na mobilidade e na qualidade de vida.

Aeroportos entram na estratégia regional

A aviação regional aparece como outro componente do plano. Entre 2023 e 2026, foram concluídas 27 intervenções em aeródromos, de acordo com os dados apresentados pela campanha.

O Plano Aeroviário de Mato Grosso do Sul reúne 64 obras e serviços, com investimentos superiores a R$ 366 milhões. Desse total, 39 intervenções estão concluídas ou em andamento, enquanto outras 25 permanecem previstas.

A carteira contempla construção e modernização de aeródromos, implantação de balizamento noturno, elaboração de projetos, terminais de passageiros e melhorias operacionais.

Para o próximo ciclo, o plano propõe ampliar as parcerias destinadas à infraestrutura aeroportuária e criar condições para fortalecer a aviação regional. A estratégia relaciona os aeroportos ao turismo, à atração de investimentos e à redução das distâncias entre os municípios e os grandes centros.

Ferrovias e hidrovias completam o desenho

Embora as estradas concentrem a maior parte dos investimentos anunciados, a proposta inclui a expansão dos modais ferroviário e hidroviário. O objetivo declarado é diversificar a matriz de transporte e diminuir a dependência das rodovias, especialmente no deslocamento de grandes volumes de commodities.

Uma das iniciativas previstas é a elaboração e a implantação do Programa Estadual de Logística e Transportes (PELT). O instrumento deverá orientar decisões sobre infraestrutura, conectar polos produtivos aos centros urbanos e identificar corredores considerados prioritários.

O plano também menciona novos modelos para gestão, conservação e manutenção das estruturas existentes. A proposta é associar o planejamento logístico ao desenvolvimento regional e à atração de empreendimentos privados.

A execução das medidas ferroviárias e hidroviárias, contudo, exige articulação com o governo federal, concessionárias e investidores, já que parte dos projetos não depende exclusivamente da administração estadual.

Rota Bioceânica ganha protagonismo

A Rota Bioceânica ocupa posição estratégica no projeto. O corredor pretende ligar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile, atravessando Paraguai e Argentina, e abrir uma alternativa para o comércio com mercados asiáticos.

No plano apresentado por Riedel, a rota aparece ao lado da concessão da Rota da Celulose e dos programas de conservação rodoviária. A aposta é transformar Mato Grosso do Sul em uma plataforma de conexão entre regiões produtoras brasileiras e rotas internacionais.

A proposta parte do princípio de que o impacto da Bioceânica não estará restrito ao transporte de cargas. A consolidação do corredor também poderá estimular turismo, comércio, serviços e novos investimentos nos municípios localizados ao longo do trajeto.

Para que esses efeitos sejam alcançados, o projeto reconhece a necessidade de integrar acessos locais, rodovias estaduais, estruturas alfandegárias, aeroportos e outros modais. A conexão entre esses pontos é apontada como condição para evitar que as grandes rotas funcionem de maneira isolada.

Infraestrutura preparada para o clima

O documento incorpora ainda a adaptação às mudanças climáticas. A proposta é aumentar a capacidade da rede logística de suportar eventos extremos, como chuvas intensas, alagamentos, estiagens prolongadas e temperaturas elevadas.

Esse desafio assume características próprias em Mato Grosso do Sul. No Pantanal, as obras precisam considerar períodos de cheia e seca. Em outras regiões, o aumento do tráfego pesado e a expansão das atividades produtivas exigem pavimentos, pontes e sistemas de drenagem mais resistentes.

A intenção é incluir critérios de resiliência climática no planejamento, na construção e na manutenção das estruturas. A campanha, porém, ainda deverá detalhar como essas diretrizes serão incorporadas aos projetos e quais recursos serão destinados especificamente a essa finalidade.

Metas dependem de execução

O plano para 2027–2030 combina continuidade e ampliação. Além de concluir obras em andamento, a proposta pretende elevar a malha pavimentada, fortalecer os aeroportos regionais, ampliar a integração multimodal e consolidar corredores nacionais e internacionais.

O alcance dessas metas dependerá da disponibilidade orçamentária, do andamento dos processos de licenciamento e contratação e da participação da iniciativa privada e do governo federal em projetos compartilhados.

Riedel sustenta que a infraestrutura deve ser avaliada não apenas pelo número de quilômetros construídos, mas pela capacidade de gerar oportunidades e melhorar os deslocamentos cotidianos.

Caso seja reeleito, o candidato terá como principais compromissos alcançar 6.660 quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas, superar o índice de 50% da rede com asfalto e avançar na integração entre os diferentes modais até 2030.

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