A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), oficializada nesta semana pelo Governo Federal e pela Petrobras, já começa a movimentar o mercado de trabalho em Três Lagoas. Desde o anúncio, aumentou a procura por vagas de emprego e cursos de qualificação voltados às funções que serão demandadas durante a construção da fábrica.
A expectativa é que apenas a primeira etapa das obras gere entre 1,5 mil e 2 mil oportunidades na área da construção civil, com vagas para ajudantes, pedreiros, carpinteiros, montadores de andaimes, soldadores e outras funções especializadas. Os salários variam conforme a atividade e a experiência profissional.
Na Casa do Trabalhador, o movimento de candidatos interessados em integrar o empreendimento já é perceptível. Muitos deles acompanharam a primeira fase da construção, iniciada em 2011, e agora enxergam na retomada uma oportunidade de voltar ao mercado ou conquistar melhores condições de trabalho.
É o caso do soldador Genilson Nascimento de Araújo da Conceição, de 37 anos. Natural da Bahia, ele chegou a Três Lagoas justamente para trabalhar na UFN-3 durante a primeira etapa da obra. Com a paralisação do projeto, permaneceu na cidade atuando em outras empresas, mas nunca deixou de acompanhar as notícias sobre o empreendimento.
Agora, com os contratos assinados e o reinício das atividades confirmado, voltou a buscar uma vaga. Além disso, decidiu investir na própria qualificação, cursando Técnico em Mecânica no Senai para ampliar as possibilidades de atuação no setor industrial.
Outro trabalhador que vê na UFN-3 uma nova oportunidade é Manoel William Bezerra Martins, de 29 anos. Morador de Três Lagoas há quase 13 anos, ele também trabalhou como montador de andaimes durante a primeira fase da construção e agora pretende retornar ao empreendimento. Para aumentar suas chances de contratação, concluiu cursos de soldagem e operação de máquinas pesadas.
Segundo a Casa do Trabalhador, o interesse pelas vagas começou ainda antes da confirmação oficial da retomada das obras. Desde o ano passado, trabalhadores de Mato Grosso do Sul e de outros estados procuravam informações sobre o andamento do projeto.
Com a assinatura dos contratos, a expectativa é de crescimento na migração de profissionais para Três Lagoas, repetindo o movimento observado durante a primeira fase da construção da fábrica.

Qualificação será prioridade
A demanda também começa a refletir na procura por cursos profissionalizantes. Durante a solenidade realizada na última quinta-feira (25), a Petrobras anunciou um programa de qualificação que deverá capacitar cerca de 1.200 trabalhadores em parceria com o Senai e instituições federais de ensino.
O objetivo é preparar mão de obra da própria região para atender às necessidades da obra, reduzindo a dependência de profissionais vindos de outros estados e ampliando as oportunidades para moradores de Três Lagoas e municípios vizinhos.
Entre os cursos previstos estão capacitações nas áreas de soldagem, manutenção mecânica, manutenção elétrica, montagem de andaimes, pintura industrial e serviços gerais — funções consideradas estratégicas tanto para a fase de construção quanto para a futura operação da unidade.
Senai amplia oportunidades
Enquanto o programa específico para a UFN-3 é estruturado, o Senai Três Lagoas já oferece diversas opções de formação para quem deseja ingressar ou se aperfeiçoar no mercado industrial.
A instituição disponibiliza cursos de Formação Técnica, voltados à preparação de profissionais de nível médio; Qualificação Profissional, destinada a quem busca rápida inserção no mercado; Aperfeiçoamento Profissional, para atualização de competências; e Iniciação Profissional, indicada para quem pretende dar os primeiros passos em uma nova carreira.
Além da estrutura moderna, laboratórios tecnológicos e professores com experiência no setor produtivo, o Senai destaca o excelente custo-benefício da formação e a forte conexão com as demandas da indústria, característica que ganha ainda mais relevância diante da retomada da UFN-3.
Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, a fábrica deverá gerar cerca de 3 mil empregos durante a construção e aproximadamente 5 mil postos de trabalho permanentes após o início das operações.
Além das vagas diretas, a expectativa é de forte impacto sobre setores como comércio, hotelaria, alimentação, transporte e prestação de serviços, consolidando um novo ciclo de desenvolvimento econômico para Três Lagoas e toda a Costa Leste de Mato Grosso do Sul.


