A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3) representa muito mais do que a conclusão de uma fábrica paralisada há mais de uma década. Além da geração de milhares de empregos e do fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, o empreendimento tem potencial para transformar o perfil econômico de Três Lagoas, impulsionando a criação de um novo polo industrial e consolidar o município como referência em inovação, tecnologia e indústria de base.
Durante a visita a Três Lagoas para autorizar oficialmente o reinício das obras, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deixou claro que a companhia enxerga a UFN-3 como um dos projetos mais atualizados e estratégicos de seu plano de expansão. Segundo ela, a unidade será a fábrica de fertilizantes mais moderna da estatal, incorporando tecnologias mais eficientes, menor consumo energético e processos capazes de aumentar a competitividade da produção nacional.
A obra, iniciada em 2011 e interrompida em 2014 quando já estava com cerca de 85% de execução, será concluída com investimentos superiores a R$ 5 bilhões. A expectativa da Petrobras é iniciar a operação comercial até 2029, embora a própria direção da empresa admita a possibilidade de antecipar esse cronograma.

Novo ciclo de desenvolvimento
Mais do que colocar a fábrica em funcionamento, a Petrobras projeta um ambiente de desenvolvimento industrial ao redor da unidade. A expectativa é que o complexo instalado às margens da BR-158 estimule a instalação de pequenas e médias indústrias fornecedoras de equipamentos, manutenção, logística, tecnologia e prestação de serviços especializados.
Esse movimento poderá dar origem a um novo distrito industrial na região, ampliando significativamente o ambiente de negócios em Três Lagoas e atraindo empresas interessadas em atender às demandas permanentes da UFN-3.
A tendência é que a cadeia de fornecedores fortaleça setores já consolidados no município e estimule novos investimentos privados, gerando efeitos positivos sobre comércio, transporte, hotelaria, construção civil e serviços.

Tecnologia de última geração
Por ser a última unidade de fertilizantes construída pela Petrobras, a UFN-3 contará com equipamentos mais modernos que os instalados nas fábricas da Bahia, Sergipe e Paraná.
Segundo Magda Chambriard, a nova planta foi projetada para operar com maior eficiência energética, menor emissão de poluentes e custos operacionais reduzidos, tornando-se uma referência tecnológica dentro do parque industrial da companhia.
A estratégia da Petrobras também prevê ampliar sua atuação em energia renovável, com investimentos em projetos ligados à geração solar, eólica e hidrogênio, reforçando o posicionamento da empresa para os desafios das próximas décadas.
Quando entrar em operação, a UFN-3 terá capacidade para produzir aproximadamente 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, tornando-se uma das principais unidades do país no segmento.
A localização da fábrica é considerada estratégica. Instalada no coração do Centro-Oeste brasileiro, a unidade atenderá principalmente Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo, região responsável por cerca de 40% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados.
Atualmente, o Brasil depende fortemente da importação desse insumo, fator que impacta diretamente os custos da produção agrícola. Sozinha, a UFN-3 deverá responder por cerca de 15% da produção nacional de fertilizantes. Somada às demais fábricas da Petrobras, a estatal estima atender aproximadamente 35% da demanda brasileira.
Petrobras já estuda expansão
Mesmo antes da retomada efetiva das operações, a Petrobras já trabalha com perspectivas de crescimento.
A presidente Magda Chambriard confirmou que estudos estão em andamento para avaliar a ampliação da capacidade produtiva de todas as fábricas de fertilizantes da companhia, incluindo a unidade de Três Lagoas.
A proposta prevê aproveitar a infraestrutura existente para instalar novas linhas de produção, aumentando a oferta de fertilizantes e ampliando também o consumo do gás natural produzido pela própria estatal.
No caso da UFN-3, a estimativa é de consumo diário de cerca de 2 milhões de metros cúbicos de gás natural, fortalecendo outro importante segmento de atuação da Petrobras.

Empregos e impacto econômico
Durante a fase de construção, a expectativa é de geração de aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos. Após a conclusão da fábrica, cerca de 4.800 postos permanentes deverão ser mantidos entre operação, manutenção e atividades ligadas ao funcionamento da unidade.
Os impactos econômicos, entretanto, vão muito além dos números da obra.
A instalação de fornecedores, empresas de apoio, serviços especializados e novos investimentos tende a consolidar Três Lagoas como um dos principais polos industriais do Centro-Oeste, reforçando uma vocação que já ganhou força com a indústria de celulose e que agora se expande para os setores de fertilizantes, energia e tecnologia.
Mais do que concluir uma obra interrompida há 12 anos, a retomada da UFN-3 inaugura um novo capítulo para a economia regional, com potencial para reposicionar Três Lagoas entre os maiores centros industriais do Brasil nas próximas décadas.


