A implantação de um Porto Seco em Três Lagoas pode representar uma mudança significativa na estrutura econômica e logística do município e de toda a Costa Leste de Mato Grosso do Sul. O projeto, discutido há mais de uma década, avançou com o anúncio de que a Prefeitura lançará um chamamento público para selecionar a área onde poderá ser instalada a futura unidade alfandegária.
A medida foi anunciada pelo prefeito Cassiano Maia durante o Encadear Summit e marca uma nova etapa para um empreendimento considerado estratégico para acompanhar a expansão industrial da região.
Caso seja efetivado, o Porto Seco permitirá que procedimentos de importação e exportação sejam realizados no próprio município, incluindo armazenagem, fiscalização e desembaraço aduaneiro de mercadorias. Na prática, empresas poderão reduzir custos, encurtar prazos e diminuir a dependência de estruturas localizadas em grandes centros ou próximas aos portos marítimos.
O impacto tende a alcançar principalmente a cadeia da celulose, responsável por grande parte das exportações de Três Lagoas, mas poderá beneficiar também empresas dos segmentos de energia, fertilizantes, siderurgia, agronegócio, comércio e logística.
Além de atender às indústrias já instaladas, a nova estrutura poderá tornar a cidade mais atrativa para centros de distribuição, transportadoras, operadores logísticos, armazéns, despachantes aduaneiros e indústrias interessadas em atuar próximas a um terminal de comércio exterior.
O resultado esperado é o adensamento da cadeia produtiva, com geração de empregos especializados, ampliação da arrecadação e maior circulação de recursos dentro da própria região.

Escolha da área terá critérios técnicos
O chamamento público será utilizado para identificar terrenos com condições adequadas para receber o empreendimento. Empresas e proprietários poderão apresentar áreas que atendam a requisitos de localização, infraestrutura, acessibilidade e viabilidade logística.
Segundo a Prefeitura, a adoção do procedimento busca garantir transparência, igualdade entre os interessados e segurança jurídica para a escolha do local. A decisão ocorreu após análise do processo e da existência de áreas anteriormente cogitadas.
Uma das opções era um terreno de seis hectares na Fazenda Rodeio, na saída para Campo Grande. O proprietário chegou a manifestar interesse em doar a área à Receita Federal, mas a transferência dependia do avanço do projeto. Outra possibilidade estudada ficava no Distrito Industrial, próximo ao encontro das rodovias BR-262 e BR-158.
Com o chamamento, outras propostas poderão ser avaliadas antes da definição definitiva.
Dependendo da localização escolhida, poderá ser necessária uma alteração no Plano Diretor para permitir a instalação de estruturas relacionadas ao terminal, como áreas de armazenagem, serviços logísticos e empreendimentos industriais. Qualquer mudança deverá seguir os trâmites legais e passar pela Câmara Municipal.

Estrutura pode atender toda a Costa Leste
A importância do projeto vai além dos limites de Três Lagoas. Um Porto Seco no município poderá atender empresas instaladas em cidades como Inocência, Brasilândia, Água Clara, Selvíria e Bataguassu, onde novos investimentos industriais e florestais ampliam a demanda por infraestrutura logística.
A proximidade com rodovias estratégicas também é considerada um diferencial. Estudos apontam a região da BR-262 como favorável ao empreendimento, especialmente diante da futura conexão com o contorno rodoviário que ligará a rodovia à BR-158.
Essa integração poderá facilitar o deslocamento de cargas, melhorar o acesso às indústrias e reforçar a posição de Três Lagoas como corredor de ligação entre Mato Grosso do Sul, São Paulo e outros mercados consumidores.
O chamamento público tratará apenas da seleção da área. A implantação e a operação do Porto Seco dependerão de uma etapa posterior, que envolverá licitação e autorizações dos órgãos competentes.
Ainda assim, a abertura do processo é vista como um passo relevante para tirar o projeto do papel e preparar Três Lagoas para um novo ciclo de crescimento, com logística mais eficiente, economia mais diversificada e maior capacidade de atrair investimentos.


