A integração física entre Brasil e Paraguai por meio da Ponte da Rota Bioceânica está prestes a se tornar realidade. A expectativa é que, ainda essa semana, as duas frentes de construção da estrutura se encontrem sobre o Rio Paraguai, marcando um dos momentos mais simbólicos da obra: a união definitiva entre os lados brasileiro e paraguaio.
Quando essa etapa for concluída, a ponte passará a ter continuidade estrutural entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai. Embora ainda não seja liberada para o tráfego de veículos, o avanço representa um marco histórico para um dos maiores projetos de infraestrutura logística da América do Sul.
A partir da união das duas extremidades, os trabalhos entrarão na fase de acabamento, que inclui pavimentação, instalação de iluminação, sinalização, calçadas e demais sistemas necessários para a operação da travessia. Também seguem em execução os acessos rodoviários que ligarão a ponte às malhas viárias dos dois países.
Corredor estratégico para o comércio internacional
Com cerca de 1,3 quilômetro de extensão, a ponte é considerada o principal elo físico da Rota Bioceânica, corredor internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O objetivo é criar uma alternativa logística para o escoamento da produção sul-americana em direção aos portos do norte chileno, no Oceano Pacífico. A nova ligação permitirá reduzir distâncias, diminuir custos de transporte e ampliar a competitividade de produtos destinados principalmente aos mercados asiáticos.
A estrutura foi projetada para atender ao transporte de cargas de grande porte e conta com um trecho estaiado sustentado por torres de aproximadamente 130 metros de altura, garantindo altura suficiente para a navegação no Rio Paraguai.
Mesmo após o fechamento do vão central, a obra seguirá em andamento. Equipes trabalham simultaneamente na implantação dos viadutos e das conexões rodoviárias que permitirão o acesso à ponte.
Em Mato Grosso do Sul, está em construção a alça que fará a ligação entre a BR-267 e a nova travessia internacional. O projeto contempla mais de 13 quilômetros de rodovia e integra o conjunto de investimentos necessários para colocar o corredor logístico em operação.
Do lado paraguaio, as obras também avançam para conectar a ponte à Rodovia PY-15, responsável por integrar o Chaco paraguaio ao restante da Rota Bioceânica.
Investimento amplia protagonismo de Mato Grosso do Sul
A ponte integra um amplo programa de infraestrutura desenvolvido ao longo do corredor internacional e é considerada uma das obras mais importantes para a logística sul-americana.
Quando todo o sistema estiver concluído, Mato Grosso do Sul deverá consolidar sua posição como porta de entrada brasileira da Rota Bioceânica, fortalecendo o comércio exterior, atraindo novos investimentos e ampliando as oportunidades para setores como agronegócio, indústria, logística e transporte.
Especialistas apontam que o corredor poderá reduzir significativamente o tempo necessário para que produtos brasileiros alcancem os mercados da Ásia, tornando as exportações mais competitivas e impulsionando o desenvolvimento econômico de toda a região Centro-Oeste.


