Mato Grosso do Sul deu mais um passo para consolidar sua posição como um dos principais corredores logísticos da América do Sul. Às 20h54 da última quarta-feira (15), ocorreu o aguardado “beijo das aduelas”, momento em que as estruturas construídas a partir das margens brasileira e paraguaia finalmente se encontraram sobre o Rio Paraguai, concluindo a ligação física da Ponte da Rota Bioceânica.
O encontro das duas frentes de construção simboliza a união definitiva entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, e representa um dos marcos mais importantes da implantação do Corredor Bioceânico, projeto que promete transformar a logística de exportação do Centro-Oeste brasileiro.
Com 1.294 metros de extensão e 20,10 metros de largura, a ponte passa agora para a etapa de acabamento. Segundo o diretor de engenharia da obra, René Gomes, a primeira união ocorreu pelas laterais da estrutura e foi recebida como um momento histórico pelos trabalhadores.
“Agora, os trabalhadores farão a concretagem após a união da malha de ferragem, formando a laje de concreto armado da ponte”, explicou o engenheiro.

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Mato Grosso do Sul ganha um novo corredor para o comércio internacional
Muito além da engenharia, a conclusão da estrutura representa uma mudança estratégica para a economia sul-mato-grossense.
A Ponte Bioceânica será a principal porta de saída da produção estadual rumo aos mercados internacionais por meio dos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico. Com isso, produtos como celulose, carne bovina, soja, milho e outros itens do agronegócio poderão chegar aos países asiáticos em menos tempo e com custos logísticos menores.
A expectativa é de que a nova rota aumente a competitividade das empresas instaladas em Mato Grosso do Sul, fortaleça as exportações e estimule a atração de novos investimentos para o Estado.
O impacto também deverá ser sentido em Porto Murtinho, município que tende a se transformar em um dos principais hubs logísticos da América do Sul. A movimentação de cargas deve impulsionar setores como transporte, armazenagem, comércio, hotelaria, alimentação e prestação de serviços, ampliando a geração de empregos e renda na região.
Além do aspecto econômico, o corredor fortalecerá a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, consolidando uma nova alternativa terrestre para o comércio internacional.

Obra supera desafios e deve ser concluída em outubro
A construção da ponte teve início em julho de 2022 e, ao longo dos últimos anos, enfrentou desafios técnicos e até uma paralisação temporária em 2024, provocada por uma investigação da Receita Federal relacionada a procedimentos aduaneiros.
Mesmo diante desses obstáculos, os trabalhos avançaram de forma contínua. Em 2025, a obra ultrapassou 80% de execução e recebeu visitas de autoridades brasileiras e paraguaias. Neste ano, entrou na fase decisiva, culminando com o encontro das duas estruturas iniciadas em lados opostos do Rio Paraguai.
Antes mesmo de sua conclusão, a ponte já havia se tornado um dos principais atrativos de Porto Murtinho, atraindo visitantes interessados em acompanhar de perto o avanço daquele que é considerado um dos maiores projetos de infraestrutura da América do Sul.
Agora, os próximos serviços incluem a execução da pavimentação, instalação dos dispositivos de proteção contra colisões, barreiras de segurança, iluminação ornamental e operacional, além da sinalização horizontal e vertical.
A previsão é que essa fase seja concluída em aproximadamente três meses, permitindo a entrega da obra em meados de outubro.

Acessos também avançam nos dois países
Paralelamente à construção da ponte, Brasil e Paraguai trabalham para concluir os acessos rodoviários que integrarão o Corredor Bioceânico.
No lado paraguaio, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações executa a ligação da ponte à rodovia PY-15, com cerca de 3,8 quilômetros de pavimentação.
Já em Mato Grosso do Sul, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou, em setembro de 2024, a implantação dos 13,1 quilômetros que conectarão a BR-267 à nova travessia internacional. O investimento é de aproximadamente R$ 500 milhões, com previsão de conclusão ainda no segundo semestre deste ano.
Financiada pela Itaipu Binacional, com investimento próximo de US$ 100 milhões e executada pelo Consórcio PyBra, a Ponte da Rota Bioceânica caminha para sua entrega definitiva e se consolida como uma das obras mais importantes para o futuro econômico de Mato Grosso do Sul.
Quando estiver totalmente operacional, o Estado deixará de ser apenas um ponto de passagem para assumir um papel estratégico no comércio entre a América do Sul e os mercados da Ásia e do Pacífico.


