Com investimento estimado em US$ 1 bilhão, fábrica de fertilizantes deverá entrar em operação em 2029 e reduzir as importações brasileiras de ureia
A construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), interrompida há mais de uma década em Três Lagoas, poderá ser retomada até setembro. A previsão foi apresentada pelo diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, em entrevista à agência Reuters.
Paralisado desde 2015, o empreendimento deverá receber aproximadamente US$ 1 bilhão para a conclusão das obras. O cronograma da estatal prevê que a unidade comece a operar em 2029.
Quando estiver pronta, a UFN-3 terá capacidade para fabricar diariamente 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia. Os produtos são utilizados principalmente na fabricação de fertilizantes destinados ao agronegócio.
A escolha de Três Lagoas favorece a distribuição da produção. O município está próximo de importantes mercados agrícolas, entre eles Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Produção nacional pode diminuir importações
A retomada da fábrica faz parte dos planos da Petrobras para ampliar a oferta brasileira de fertilizantes nitrogenados. A estatal busca diminuir a dependência do mercado externo e já promoveu a reativação de unidades localizadas no Paraná, na Bahia e em Sergipe.
De acordo com William França, somente a produção da UFN-3 poderá reduzir em 12% o volume de ureia comprado pelo Brasil de outros países. Considerando as demais fábricas da empresa, a queda nas importações poderá chegar a 35%.
“Essa planta sozinha deve reduzir as importações de ureia em 12%. Com as outras plantas combinadas, essa redução pode chegar a 35%”, declarou.
O Brasil ainda depende do exterior para atender grande parte da demanda por fertilizantes nitrogenados. Esse cenário torna o agronegócio brasileiro mais vulnerável às oscilações internacionais de preços e a eventuais dificuldades no fornecimento dos produtos.
Petrobras planeja manutenções nas refinarias
O diretor também informou que as refinarias da Petrobras estão operando em torno de 101% da capacidade. Segundo ele, esse ritmo foi adotado para diminuir a necessidade de importar combustíveis durante o período de tensão entre Estados Unidos e Irã.
Com o acordo provisório estabelecido entre os dois países, a companhia espera uma redução da pressão sobre seu sistema de refino. A Petrobras deverá, então, reorganizar as paradas programadas de manutenção que foram adiadas nos últimos meses.
Parte dessas interrupções está prevista principalmente para 2027, inclusive para atender às exigências regulatórias.
“Não é possível ficar acima de 100% o tempo todo. Adiamos algumas paradas por causa da guerra, mas vamos realizar algumas interrupções planejadas, especialmente em 2027, também por exigências regulatórias”, explicou França.
Com informações da Reuters


