A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas, pode ser apenas o primeiro passo de um projeto ainda maior. A Petrobras confirmou que avalia ampliar a capacidade de produção de fertilizantes em suas fábricas e não descarta expandir também a unidade sul-mato-grossense, considerada estratégica para o abastecimento do agronegócio brasileiro.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (24) pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante coletiva de imprensa. Segundo ela, estudos estão em andamento para aumentar a produção das plantas já existentes, aproveitando a infraestrutura instalada e o crescimento da demanda por fertilizantes e gás natural no país.
Entre as unidades analisadas está a UFN-3, em Três Lagoas, cuja retomada foi anunciada recentemente pelo governo federal após mais de uma década de paralisação.
De acordo com Magda, a fábrica sul-mato-grossense terá um diferencial importante em relação às demais unidades da Petrobras. Por incorporar tecnologias mais modernas, a expectativa é de uma operação mais eficiente, com menor consumo energético, redução de emissões e custos operacionais mais competitivos.
Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, a UFN-3 deverá produzir inicialmente cerca de 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia por dia. A previsão da Petrobras é iniciar as obras no segundo semestre deste ano e colocar a unidade em operação até 2029.
A estatal também avalia cenários que podem ampliar essa capacidade futuramente. Segundo a direção da companhia, os estudos buscam identificar o potencial de mercado e a viabilidade econômica de uma expansão, incluindo a possibilidade de novos produtos e aumento da produção.
A localização da unidade é considerada estratégica. Hoje, a região Centro-Oeste concentra cerca de 40% da demanda nacional por ureia, utilizada principalmente na agricultura. Além de atender Mato Grosso do Sul, a fábrica deverá abastecer produtores rurais de estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a segurança do abastecimento nacional.
Contratações já começaram
Enquanto os estudos avançam, a mobilização para a retomada da obra já está em andamento. Nas últimas semanas, as primeiras empresas contratadas iniciaram o recrutamento de trabalhadores em Três Lagoas.
A Petrobras dividiu a conclusão do empreendimento em 11 pacotes de contratação, estratégia que busca ampliar a concorrência entre fornecedores e acelerar a execução dos serviços.
A expectativa é que aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos sejam gerados durante a fase de construção. Após a entrada em operação, a estimativa é de mais 5 mil postos de trabalho ligados direta e indiretamente à atividade da fábrica.
A forte expansão econômica da Costa Leste de Mato Grosso do Sul, impulsionada principalmente pelos investimentos da indústria de celulose, levantou questionamentos sobre a disponibilidade de mão de obra para atender simultaneamente aos grandes empreendimentos em andamento.
Segundo a Petrobras, o tema está sendo acompanhado de perto, mas ainda não representa risco para o cronograma da UFN-3. A companhia afirma que as contratações ocorrerão de forma gradual, acompanhando a evolução das frentes de trabalho.
Projeto estratégico para o Brasil
Paralisada desde 2014, quando já possuía mais de 80% das obras concluídas, a UFN-3 é considerada um dos principais projetos industriais em retomada no país.
Quando estiver em operação, a unidade terá papel relevante na redução da dependência brasileira da importação de fertilizantes nitrogenados, setor considerado estratégico para a segurança alimentar e para a competitividade do agronegócio nacional.
Com a retomada das obras e a possibilidade de expansão futura, Três Lagoas volta a ocupar posição de destaque no mapa dos grandes investimentos da Petrobras e da indústria brasileira.


