Polícia

Operação policial desmonta rede que superfaturava medicamentos em Mato Grosso do Sul

Uma força-tarefa envolvendo Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública e Receita Federal deflagrou, nesta quinta-feira (23), uma operação para desmontar um suposto esquema de fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo, especialmente voltados ao tratamento oncológico. As investigações apontam que o grupo pode ter movimentado pelo menos R$ 78 milhões em recursos públicos.

Entre os alvos estão advogados, um farmacêutico e um ex-servidor da Secretaria de Estado de Saúde (SES), suspeitos de integrar uma estrutura organizada que atuava de forma articulada para obter decisões judiciais favoráveis, direcionar compras e inflar valores de contratos.

Ao todo, cinco pessoas foram presas temporariamente por determinação da Justiça e são investigadas por crimes como organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e infrações contra a saúde pública.

As apurações indicam que o esquema era dividido em diferentes frentes de atuação. Um núcleo jurídico seria responsável por acionar o Judiciário para obrigar o Estado a fornecer medicamentos de alto custo. Já integrantes ligados à administração pública teriam facilitado trâmites internos. Paralelamente, empresas e intermediários atuariam na oferta e comercialização dos produtos, alguns deles importados sem registro sanitário e revendidos com valores que chegariam a ser dezenas de vezes superiores ao preço original.

A investigação também aponta a participação de pequenas empresas e farmácias que, mesmo sem estrutura adequada, ingressavam nos processos judiciais oferecendo medicamentos com preços aparentemente competitivos, mas que posteriormente seriam elevados durante a execução das compras.

Mandados foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, incluindo cidades como Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Barueri, Itu e Nova Lima.

O caso começou a ser investigado em setembro de 2025, após a identificação de um padrão incomum em ações judiciais relacionadas à saúde. Agora, os órgãos envolvidos devem analisar cerca de 10 mil processos para aprofundar as apurações e dimensionar o alcance do esquema.

Há ainda relatos de pacientes que teriam morrido durante tratamentos vinculados às aquisições investigadas, embora, até o momento, não exista comprovação direta de ligação entre os óbitos e os medicamentos fornecidos.

As defesas dos investigados ainda não se manifestaram oficialmente sobre o caso.

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