Tributo aumentará R$ 0,13 por litro no diesel, R$ 0,07 na gasolina e R$ 0,07 por quilo no gás de cozinha; repasse ao consumidor dependerá do mercado
O reajuste do ICMS sobre combustíveis poderá produzir efeitos muito além dos postos de abastecimento em Mato Grosso do Sul. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o imposto ficará mais alto sobre gasolina, diesel e gás de cozinha.
O maior aumento será aplicado ao diesel, principal combustível utilizado no transporte de cargas. A cobrança passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, acréscimo de R$ 0,13.
Como exemplo, em um abastecimento de 200 litros, comum na operação de caminhões, o custo tributário adicional poderá chegar a R$ 26, caso seja integralmente incorporado ao preço final.
O impacto merece atenção em Mato Grosso do Sul porque grande parte da produção agropecuária e industrial circula pelas rodovias. Uma elevação no custo do transporte pode pressionar o frete e alcançar alimentos, materiais de construção, medicamentos e outros produtos distribuídos por caminhões.
Entre janeiro e maio de 2026, o diesel respondeu por 61,18% de todos os combustíveis comercializados no Estado. Foram vendidos aproximadamente 859,7 milhões de litros, crescimento de 5,76% sobre igual período do ano anterior.
Gasolina e gás também terão imposto maior
Na gasolina, o valor fixo do ICMS subirá de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro. A diferença será de R$ 0,07, equivalente a uma elevação de 4,46% na parcela estadual do tributo.
Se todo o acréscimo chegar às bombas, um motorista gastará R$ 3,50 a mais para completar um tanque de 50 litros. Para quem consome 150 litros mensais, o impacto seria de R$ 10,50 por mês ou R$ 126 em um ano.
Em outubro, a gasolina comum custava, em média, R$ 6,42 por litro em Mato Grosso do Sul. A simples inclusão dos R$ 0,07 elevaria esse valor para R$ 6,49. A comparação é apenas uma simulação, pois os preços poderão estar diferentes quando a nova tributação começar.
O ICMS do gás liquefeito de petróleo, utilizado nos botijões domésticos, aumentará de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Em um recipiente de 13 quilos, a diferença tributária será de R$ 0,91.
Embora o impacto isolado seja inferior a R$ 1, o gás de cozinha também depende de custos como distribuição e transporte. Dessa forma, outras variações da cadeia poderão alterar o preço final cobrado das famílias.
Reajuste não significa alta automática nas bombas
Os novos valores foram aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária por meio dos convênios ICMS 127 e 128 de 2026. A atualização será válida em todos os estados.
Desde 2022, o imposto sobre esses combustíveis deixou de ser calculado como um percentual do preço de venda. O ICMS passou a ter um valor fixo por litro ou quilo, modelo conhecido como alíquota “ad rem”.
Isso significa que a cobrança é a mesma por unidade comercializada, independentemente do valor encontrado no posto ou na revenda.
O aumento do tributo, no entanto, não permite afirmar qual será o preço dos combustíveis em fevereiro. O valor final também depende da cotação do petróleo, do câmbio, dos preços praticados por refinarias e importadores, dos custos de distribuição, das margens dos postos e da composição com biocombustíveis.
O repasse poderá ser integral, parcial ou absorvido por algum segmento da cadeia, conforme as condições do mercado.
O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda informou que os estados acompanham a instabilidade internacional e avaliam alternativas para reduzir o impacto da atualização prevista para o diesel. Até o momento, porém, nenhuma mudança nos valores aprovados foi oficializada.
Para Mato Grosso do Sul, o principal risco não está apenas no custo direto para quem abastece. Caso o diesel mais caro seja incorporado aos fretes, o reajuste poderá se espalhar pela economia e alcançar produtos essenciais vendidos nos supermercados e demais estabelecimentos comerciais.


