Mato Grosso do Sul dará um novo passo na consolidação de seu ecossistema de inovação voltado ao agronegócio. Foi lançado nesta semana o AgroValley MS, um centro de inovação que pretende conectar produtores rurais, universidades, startups, pesquisadores e investidores para acelerar o desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao campo.
A iniciativa nasce acompanhada de um fundo de investimentos com meta de captar até R$ 150 milhões até o fim deste ano. Os recursos serão destinados ao financiamento de empresas inovadoras e ao desenvolvimento de soluções voltadas aos desafios enfrentados pelo setor agropecuário.
Com sede prevista em Campo Grande e estrutura de aproximadamente mil metros quadrados, o hub deverá iniciar suas atividades ainda em 2026, atuando em áreas estratégicas como inteligência artificial, robótica, Internet das Coisas (IoT), biotecnologia, gestão de dados, rastreabilidade, agricultura de precisão e tecnologias ligadas à sustentabilidade e à agricultura de baixo carbono.
Aproximação entre ciência e mercado
O projeto é resultado de uma parceria entre a gestora de investimentos Vivaterra Ventures e Participações e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
A proposta busca aproximar a produção científica das demandas reais do agronegócio, criando um ambiente capaz de transformar pesquisas, ideias e protótipos em soluções comercialmente viáveis para o setor produtivo.
Além da UEMS, a iniciativa conta com apoio institucional do Governo do Estado e da Fundação MS, entidade de pesquisa ligada ao agronegócio e mantida por organizações representativas do setor rural.
Segundo os idealizadores, o objetivo é fortalecer a inovação aplicada ao campo e ampliar a participação de Mato Grosso do Sul em um mercado que movimenta bilhões de reais em investimentos tecnológicos todos os anos.
Três frentes de atuação
O AgroValley MS atuará em diferentes estágios do desenvolvimento empresarial.
Uma das frentes será voltada à incubação de startups em fase inicial, oferecendo suporte técnico e estrutura para o amadurecimento de ideias e produtos.
Outra etapa será dedicada à validação de tecnologias diretamente nas propriedades rurais, permitindo que soluções sejam testadas em condições reais antes de chegarem ao mercado.
O projeto também contará com programas de aceleração para empresas que já possuem produtos desenvolvidos e buscam ampliar operações, conquistar novos mercados ou atrair investimentos.
O modelo prevê aportes financeiros em troca de participação societária nas startups selecionadas, estratégia comum em ecossistemas de inovação ao redor do mundo.
Primeiras empresas já estão no radar
Entre as primeiras startups avaliadas para integrar o novo ecossistema estão a sul-mato-grossense Kerow Soluções de Precisão e a Carbon Vantage, de São Paulo.
A Kerow desenvolve tecnologias voltadas ao monitoramento de rebanhos por meio de inteligência artificial, biometria facial e sistemas de rastreamento aplicados à pecuária.
Já a Carbon Vantage atua no mercado de créditos de carbono utilizando recursos como inteligência artificial, monitoramento por satélite e tecnologia blockchain para análise e certificação ambiental.
Agronegócio busca novas soluções
O lançamento do AgroValley acontece em um momento de transformação do agronegócio brasileiro, que enfrenta desafios relacionados à rentabilidade, mudanças climáticas, rastreabilidade de produtos e exigências crescentes dos mercados internacionais.
Nesse contexto, tecnologias voltadas à gestão eficiente das propriedades rurais, monitoramento ambiental, automação e inteligência de dados ganham cada vez mais relevância.
A expectativa é que o novo hub ajude a acelerar a adoção dessas soluções e fortaleça a competitividade do setor produtivo sul-mato-grossense.
Captação mira investidores nacionais e internacionais
A estrutura financeira do projeto prevê uma rodada de captação que deverá se estender ao longo dos próximos meses, buscando investidores brasileiros e estrangeiros.
O fundo já conta com investidores âncora e pretende atrair recursos principalmente de mercados como Estados Unidos e Canadá. O aporte mínimo previsto para participação é de R$ 1 milhão por investidor.
Com duração inicial de cinco anos, prorrogável por mais dois, a expectativa dos gestores é impulsionar empresas com potencial de crescimento e ampliar a presença de Mato Grosso do Sul no cenário nacional de inovação aplicada ao agronegócio.
Embora o Brasil possua um dos maiores setores agropecuários do mundo, a maior parte das startups voltadas ao campo ainda está concentrada em estados do Sudeste. A proposta do AgroValley é justamente ampliar a participação do Centro-Oeste nesse mercado e transformar Mato Grosso do Sul em uma referência nacional em inovação para o agro.

