O médico e tabelião Roberto José Medeiros morreu na manhã desta quinta-feira (3) em um acidente na BR-158, nas proximidades da ponte sobre o Rio Sucuriú, em Três Lagoas. Titular do 3º Serviço Notarial e Tabelionato de Protesto de Títulos, ele construiu uma trajetória marcada por passagens pela Polícia Civil, pelo Direito, pela atividade cartorária e, já depois dos 60 anos, pela Medicina.
A colisão envolvendo dois automóveis ocorreu por volta das 9h. Medeiros dirigia um dos veículos, que capotou após o impacto. Quando as equipes do 5º Grupamento de Bombeiros Militar chegaram ao local, ele já estava sem vida dentro do carro.
A área foi preservada para o trabalho da Perícia, responsável pelos procedimentos técnicos antes da retirada do corpo. As circunstâncias e a dinâmica da colisão ainda deverão ser apuradas pelas autoridades.
Duas pessoas estavam no outro automóvel e foram encontradas conscientes e em condições estáveis. Uma apresentava suspeita de fratura nos arcos costais e a outra relatava dores abdominais. Ambas foram socorridas e encaminhadas ao Hospital Nossa Senhora Auxiliadora para exames e avaliação médica.
Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.
Nascido em Joaçaba, Santa Catarina, Roberto José Medeiros passou parte da infância no Seminário Camiliano, foi escoteiro e serviu ao Exército em Curitiba. Aos 20 anos, ingressou por concurso na Polícia Civil do Paraná, onde atuou como policial, detetive e superintendente de delegacias.
Paralelamente à carreira na segurança pública, formou-se em Direito, tornou-se advogado e avançou nos estudos de pós-graduação e mestrado. Mais tarde, chegou ao cargo de delegado de Polícia em Campo Grande.
Sua entrada na atividade extrajudicial ocorreu em 1995, após participação no primeiro concurso público para delegação de serviços notariais e registrais promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Atuou inicialmente em Rio Verde de Mato Grosso e, depois, em Ivinhema.
Em 2011, depois de alcançar o primeiro lugar em um novo concurso de remoção, escolheu Três Lagoas para prosseguir na carreira. Desde então, comandava o 3º Serviço Notarial e Tabelionato de Protesto de Títulos. O histórico profissional na área foi registrado pela Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso do Sul.
Mas a trajetória de Medeiros ainda reservava uma mudança pouco comum. Depois de se aposentar da Polícia Civil e acompanhar a formação dos filhos, ele decidiu recuperar um sonho que havia sido adiado na juventude: cursar Medicina.
Foram dez anos de preparação e dezenas de vestibulares até a aprovação, em 2012, na primeira turma do curso de Medicina da Faceres, em São José do Rio Preto. Medeiros concluiu a graduação em 2018, já depois dos 60 anos, e passou também a exercer a profissão médica.
Pai de cinco filhos, costumava apresentar a própria história como exemplo de perseverança e valorização do conhecimento. Ao transformar um projeto antigo em realidade numa fase da vida em que muitos já pensam em desacelerar, deixou como marca a convicção de que o tempo não precisa ser um limite para novos começos.


