Mato Grosso do Sul vem ganhando destaque no cenário nacional da citricultura e já registra mais de R$ 3 bilhões em investimentos privados voltados à expansão da atividade. Impulsionado pela chegada de grandes empresas, disponibilidade de áreas para cultivo e condições favoráveis de produção, o Estado se consolida como uma das principais regiões emergentes do setor no Brasil.
Atualmente, aproximadamente 35 mil hectares estão destinados ao plantio de laranja e outras frutas cítricas em território sul-mato-grossense. Desse total, cerca de 26 mil hectares já estão em produção, enquanto outros 8,6 mil hectares seguem em fase de implantação.
A expansão é especialmente visível na região da Costa Leste, onde áreas antes ocupadas por pastagens passaram a receber pomares comerciais. Em algumas localidades, os cultivos cítricos também avançam em regiões que concentram florestas plantadas de eucalipto, fortalecendo a diversificação das atividades agropecuárias.
Dados apresentados pelo Governo do Estado durante a ExpoCitros 2026 indicam que Mato Grosso do Sul já contabiliza mais de 13 milhões de mudas cítricas plantadas. O crescimento tem atraído importantes grupos empresariais do setor, entre eles Cutrale, Citrosuco, Agroterena, Cambuí, Junqueira Rodas, Agro Hernandes, Cruzamento e Agro GB.
Considerando um investimento médio de aproximadamente R$ 80 mil por hectare para implantação dos pomares, os projetos atualmente em andamento ultrapassam a marca de R$ 3 bilhões em aportes privados.
Segundo representantes do Governo do Estado, o avanço da atividade está relacionado a fatores como segurança jurídica, disponibilidade de crédito, ambiente favorável aos investimentos e eficiência nos controles fitossanitários. A combinação desses elementos tem contribuído para posicionar Mato Grosso do Sul como uma alternativa estratégica para produtores e empresas que buscam expandir operações fora dos polos tradicionais da citricultura brasileira.
Hoje, a produção está presente em 44 municípios sul-mato-grossenses. O crescimento da atividade também pode ser observado no aumento das autorizações para produção de mudas emitidas pelos órgãos de defesa agropecuária do Estado.
Além das condições naturais favoráveis, a localização geográfica é apontada como um diferencial competitivo. A infraestrutura logística em expansão e a proximidade com centros de processamento e escoamento da produção fortalecem o potencial de crescimento do setor.
Outro fator considerado estratégico é a futura consolidação da Rota Bioceânica, corredor internacional que ligará o Brasil aos portos do norte do Chile. A expectativa é que a nova rota amplie a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses no mercado externo, reduzindo o tempo de transporte para mercados asiáticos e da costa oeste dos Estados Unidos.
Para o Governo do Estado, o avanço da citricultura reforça o processo de diversificação econômica de Mato Grosso do Sul, historicamente sustentado pela soja, pecuária e, mais recentemente, pela indústria de base florestal. A expansão dos pomares também representa uma alternativa para o aproveitamento produtivo de áreas anteriormente degradadas, contribuindo para a geração de empregos, renda e novos investimentos no campo.

