As investigações sobre o acidente aéreo que matou o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff avançaram no sábado (4), em Campo Grande. Equipes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciaram a retirada dos principais componentes da aeronave, que passarão por perícia para ajudar a esclarecer as causas da tragédia.
Motores, hélices e outros equipamentos considerados essenciais para a apuração foram removidos do local do acidente e serão encaminhados a uma oficina credenciada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), onde serão desmontados e analisados na presença dos investigadores.
Segundo o perito criminal da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, Domingos Sábio Rivas, os indícios observados até o momento sugerem uma possível desorientação espacial do piloto, hipótese que ainda depende da conclusão dos exames técnicos.
“A dinâmica encontrada é compatível com esse tipo de ocorrência, mas ainda é cedo para qualquer conclusão. Precisamos verificar se houve alguma falha mecânica ou nos sistemas da aeronave”, explicou.

Queda foi praticamente vertical
De acordo com os investigadores, os destroços ficaram concentrados em uma área de aproximadamente 20 metros, característica que indica uma queda quase vertical e em alta velocidade. A análise preliminar aponta ainda que a aeronave atingiu o solo inicialmente pelo lado direito.
Além da Polícia Científica e do Cenipa, participaram dos trabalhos equipes do Corpo de Bombeiros e funcionários do Aeroporto Santa Maria, responsáveis pela preservação da área e remoção das peças.
O avião, um modelo Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983, decolou por volta das 6h20 de sexta-feira (3) com destino ao Pantanal. Poucos minutos depois, caiu em uma área de mata nas proximidades do aeroporto. Os destroços foram localizados durante as buscas realizadas por equipes em solo.
As condições meteorológicas também fazem parte da investigação. Na manhã do acidente, Campo Grande registrava neblina, garoa e baixa visibilidade, fatores que haviam provocado o adiamento da decolagem, inicialmente prevista para as 5h.
Apesar disso, especialistas destacam que ainda não é possível relacionar o clima ao acidente. Essa avaliação será feita pelo Cenipa ao longo da investigação.
A aeronave estava com documentação regular junto à Anac, incluindo o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até junho de 2027, e era operada pela empresa Amapil Táxi Aéreo.
O acidente vitimou o piloto Henrique Martin, profissional conhecido no meio aeronáutico sul-mato-grossense, e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, referência internacional em estudos sobre a fauna pantaneira, especialmente tamanduás. Ambos morreram no local.



