A indústria de Mato Grosso do Sul produziu mais no primeiro semestre de 2026, porém terminou o período praticamente sem crescimento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a atividade avançou 4,5% entre janeiro e junho, sustentada principalmente pelo desempenho dos primeiros meses do ano.
O resultado semestral foi três vezes superior à média brasileira, que cresceu 1,5% na comparação com igual intervalo de 2025. A leitura por trimestre, entretanto, revela uma mudança expressiva no cenário estadual.
Entre janeiro e março, a produção industrial sul-mato-grossense aumentou 9,5%. No trimestre seguinte, de abril a junho, o avanço despencou para 0,1%, indicando perda de fôlego da atividade.
Na comparação com junho de 2025, a indústria estadual cresceu 0,9%. O desempenho foi positivo, mas ficou abaixo da alta nacional de 1,7% registrada no mesmo recorte.
O acumulado dos últimos 12 meses apresenta um quadro diferente: entre julho de 2025 e junho de 2026, a produção de Mato Grosso do Sul caiu 6,1%. A retração nessa base de comparação mostra que a recuperação observada no início deste ano ainda não compensou integralmente os resultados negativos dos meses anteriores.
Portanto, o crescimento de 4,5% no semestre não representa uma expansão uniforme. A maior parte do avanço ficou concentrada no primeiro trimestre, enquanto o segundo teve estabilidade.
Maioria dos locais pesquisados recuou em junho
No cenário nacional, a produção industrial caiu 1,8% entre maio e junho, já considerados os efeitos sazonais. Dos 15 locais acompanhados pelo IBGE, 12 registraram redução no período.
Amazonas teve a queda mais acentuada, de 11,3%, seguido por Espírito Santo, com 3,4%; São Paulo, com 3,2%; e Ceará, com 2,9%.
Somente três estados ampliaram a produção na passagem mensal: Rio Grande do Sul, com 3,7%; Bahia, com 2,7%; e Mato Grosso, com 1,6%.
Na comparação entre junho de 2025 e junho deste ano, Mato Grosso do Sul integrou o grupo de oito locais com resultado positivo. Espírito Santo liderou o crescimento, com 12,2%, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 10,5%.
Também avançaram acima da média brasileira Rio de Janeiro, Mato Grosso, Paraná, Goiás e Santa Catarina.
No acumulado nacional de 12 meses, a indústria apresentou crescimento de 0,7%. Foi o segundo mês consecutivo em que o indicador permaneceu no campo positivo.
Os próximos levantamentos mostrarão se a estabilidade registrada no segundo trimestre representa apenas uma interrupção temporária ou o começo de uma desaceleração mais prolongada da indústria de Mato Grosso do Sul.


