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Gaeco cumpre mandados em endereços ligados a ex-secretárias da prefeitura de Água Clara

Operação mobilizou equipes na manhã desta segunda-feira e também alcançou a residência de um empresário; Prefeitura informou que sua sede não foi alvo

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) mobilizou equipes de segurança em Água Clara na manhã desta segunda-feira (14). Os mandados foram cumpridos em endereços relacionados a duas ex-integrantes da administração municipal, que comandaram as secretarias de Finanças e de Educação.

As ex-secretárias exerceram os cargos durante a gestão da prefeita Gerolina Alves, atualmente em seu segundo mandato. Um empresário do município também teve a residência incluída entre os alvos da ação, que contou com o apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

A quantidade de mandados, a natureza das medidas judiciais e os fatos investigados nesta nova ofensiva ainda não haviam sido detalhados oficialmente até a publicação desta reportagem.

Gerolina Alves declarou não ter acesso aos autos do processo. Segundo a prefeita, nenhuma ordem judicial foi cumprida na sede da Prefeitura de Água Clara.

Investigações anteriores apuraram fraudes na educação

Água Clara já havia sido alvo da Operação Malebolge, deflagrada em fevereiro de 2025 pelo Gaeco e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). Na ocasião, a investigação alcançou também Campo Grande, Rochedo e Terenos, com o cumprimento de 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão.

A apuração apontou a existência de um esquema envolvendo contratos superiores a R$ 10 milhões nas áreas de educação de Água Clara e Rochedo. Segundo o Ministério Público, empresários teriam pagado propina a agentes públicos para direcionar licitações e facilitar a liberação de recursos.

Entre as práticas investigadas estavam o registro de produtos e serviços que não teriam sido efetivamente entregues, além da emissão de documentos fiscais sem a correspondente prestação do serviço. As suspeitas envolviam especialmente contratos de fornecimento para a merenda escolar.

As informações que deram origem à Malebolge foram obtidas a partir da análise de aparelhos celulares recolhidos em outra investigação, a Operação Turn Off. Esse procedimento apurou um conjunto mais amplo de possíveis fraudes em contratos públicos nas áreas de saúde e educação, com valores estimados em R$ 68 milhões.

Até o momento, não houve divulgação oficial que esclareça se os mandados cumpridos nesta segunda-feira correspondem a uma nova fase da Malebolge ou a outro procedimento investigativo. Os envolvidos terão espaço para apresentar suas versões após a identificação formal das acusações e o acesso às decisões judiciais.

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