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Agronegócio

Fertilizantes ficam até 39% mais caros e pressionam custos da próxima safra em MS

Os custos de produção no campo continuam pressionando os agricultores de Mato Grosso do Sul. Levantamento divulgado pela Aprosoja/MS aponta que os fertilizantes registraram aumentos expressivos nos últimos 12 meses, com altas que chegam a 39%, elevando a preocupação do setor para a próxima safra.

Entre os produtos que mais subiram está a fórmula NPK 04-30-10, amplamente utilizada nas lavouras, que passou de R$ 3.355 para R$ 5.544 por tonelada entre abril de 2025 e abril de 2026. O aumento superior a R$ 2 mil por tonelada representa um dos maiores reajustes observados no período.

Outros insumos também ficaram mais caros. O gesso agrícola acumulou valorização de 10%, enquanto o calcário dolomítico teve alta de 9%. Já o cloreto de potássio (KCl) e o fosfato monoamônico (MAP) registraram aumento de 3%.

Ao mesmo tempo em que os preços avançam, Mato Grosso do Sul reduziu significativamente o volume de fertilizantes importados. Entre janeiro e abril deste ano, entraram no Estado 27,6 mil toneladas de insumos, contra 64,4 mil toneladas registradas no mesmo período do ano passado, uma retração de 57%.

A maior queda foi observada nos fertilizantes fosfatados, cujo volume importado recuou mais de 93%. Os produtos nitrogenados tiveram redução de 48%, enquanto os potássicos apresentaram queda próxima de 20%.

Atualmente, a Bolívia responde pela maior parte dos fertilizantes importados por Mato Grosso do Sul, representando cerca de 78% do total adquirido no exterior. O Egito aparece na sequência, com participação de 22%.

A Aprosoja/MS avalia que as tensões geopolíticas e os conflitos no Oriente Médio continuam influenciando o mercado global de fertilizantes. Problemas logísticos, restrições na oferta e incertezas comerciais têm contribuído para a volatilidade dos preços internacionais.

Embora o Brasil tenha registrado crescimento nas importações de alguns fertilizantes neste início de ano, Mato Grosso do Sul segue na direção oposta, com redução em todos os principais grupos de insumos analisados.

Margens mais apertadas

Outro indicador acompanhado pelo setor é o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF), que mostra uma deterioração da capacidade de compra dos produtores sul-mato-grossenses.

Na prática, isso significa que os custos dos fertilizantes estão crescendo em ritmo superior ao valor recebido pelos agricultores na comercialização dos grãos, reduzindo a rentabilidade das propriedades rurais.

Diante desse cenário, entidades do setor reforçam a importância do planejamento antecipado da aquisição de insumos, já que os fertilizantes seguem entre os principais componentes do custo de produção agrícola e podem impactar diretamente os resultados da próxima safra.

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