A morte do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, ganhou um novo desdobramento nesta terça-feira (14). Em nota pública, familiares e advogados afirmaram que o Estado falhou em garantir a integridade física do político durante o período em que esteve preso e sustentam que sua morte poderia ter sido evitada.
Segundo o documento, a defesa apresentou seis pedidos à Justiça para que Bernal deixasse a unidade prisional em razão do delicado estado de saúde, mas os requerimentos não foram acolhidos. Para familiares e advogados, os alertas médicos apontavam riscos concretos que, segundo eles, não receberam a devida atenção.
No texto, os signatários afirmam que a situação clínica do ex-prefeito era conhecida pelas autoridades e classificam sua morte como um desfecho previsível. A manifestação é assinada pela esposa, Mirian Gonçalves, pela filha, Sarah Bernal, e pelos advogados responsáveis pela defesa.
Outro ponto questionado é o retorno de Bernal ao Presídio Militar Estadual logo após receber alta hospitalar. De acordo com a nota, ele foi transportado sem a estrutura considerada adequada para um paciente que havia passado recentemente por cirurgia cardíaca.
A defesa também cita documentos da própria administração da unidade prisional que apontariam limitações na estrutura de atendimento médico, como a inexistência de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), unidade coronariana, cardiologista de plantão e equipe permanente de enfermagem. Na avaliação dos familiares, essas condições seriam incompatíveis com os cuidados exigidos pelo quadro clínico do ex-prefeito.
Na manifestação, os advogados afirmam que a responsabilidade do Estado se estende à preservação da vida de pessoas sob sua custódia e defendem que esse dever não foi cumprido no caso de Bernal. O documento também critica decisões que, segundo os autores, teriam sido influenciadas pela repercussão pública do processo, em detrimento de critérios técnicos e médicos.
Morte de Bernal
Alcides Bernal morreu na madrugada de segunda-feira (13), aos 60 anos, após sofrer um novo infarto durante um procedimento de emergência na Santa Casa de Campo Grande. Conforme informações médicas, ele apresentou trombose nos stents implantados no coração e não resistiu às complicações.
Dias antes, Bernal havia recebido alta hospitalar e retornado ao Presídio Militar Estadual. No sábado (11), voltou a passar mal e foi novamente internado, permanecendo hospitalizado até o falecimento.
O ex-prefeito estava preso preventivamente desde março, acusado pela morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini. O processo já havia sido encaminhado para julgamento pelo Tribunal do Júri, mas a ação penal foi interrompida em razão da morte do réu, que, pela legislação brasileira, encerra a punibilidade.
Veja a nota na íntegra:



