O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, defendeu maior fiscalização sobre as obras públicas federais paralisadas no país. Ao abordar o assunto, ele citou como exemplo o Hospital do Trauma de Campo Grande, cuja construção permaneceu interrompida por cerca de 20 anos antes de ser concluída durante sua gestão.
Atualmente, a unidade atende casos de urgência e emergência e possui 130 leitos, centro cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Para Reinaldo, a retomada do hospital demonstra que projetos abandonados podem ser concluídos quando há planejamento, recursos e acompanhamento da execução.
“O Hospital do Trauma é a prova de que não faltam recursos nem projetos — falta vontade política e capacidade de gestão. Em Mato Grosso do Sul, pegamos uma obra esquecida há duas décadas, concluímos e hoje ela salva vidas. O Governo Federal precisa fazer o mesmo com as 11 mil obras que começou e não terminou. O dinheiro do povo não pode continuar sendo jogado fora”, declarou.
Mais da metade das obras estaria paralisada
Dados mencionados pelo ex-governador indicam que o Brasil possui entre 11.469 e 11.900 obras públicas federais interrompidas, número equivalente a aproximadamente 52% dos contratos em execução.
Conforme levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), esses empreendimentos já teriam consumido entre R$ 9 bilhões e R$ 15,9 bilhões. A estimativa é de que seriam necessários mais de R$ 20 bilhões para concluí-los.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por sua vez, estima que os prejuízos econômicos e sociais relacionados às paralisações podem alcançar R$ 215 bilhões.
Entre os projetos citados por Reinaldo está a Ferrovia Transnordestina. Iniciada em 2006 e inicialmente prevista para ser entregue em 2010, a obra deveria percorrer cerca de 1,7 mil quilômetros e ampliar a integração logística do Nordeste com os portos da região.
O orçamento inicial, calculado em R$ 4,5 bilhões, aumentou para R$ 15,7 bilhões. Segundo os dados apresentados, aproximadamente 54% do projeto havia sido executado, com nova previsão de conclusão para 2029.
Outro empreendimento mencionado foi a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, marcada por mudanças no cronograma e aumento de custos. Na avaliação do ex-governador, a ampliação da capacidade nacional de refino poderia reduzir a dependência brasileira da importação de combustíveis.
“Se essa refinaria estivesse pronta, o Brasil refinaria mais petróleo nacional e dependeria menos da importação de gasolina e diesel. O preço dos combustíveis, que tanto aperta o bolso do trabalhador, não seria tão cruel”, afirmou.
Fiscalização pelo Senado
Reinaldo governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos e é pré-candidato ao Senado. Ao tratar das obras paralisadas, ele também mencionou investimentos realizados em sua administração nas áreas de saúde, segurança pública e infraestrutura viária, além das medidas adotadas para manter o equilíbrio fiscal do Estado.
Segundo o ex-governador, o Senado deve acompanhar a aplicação dos recursos federais e cobrar transparência na execução dos projetos, além de atuar na destinação de verbas aos estados e municípios.
“Conheço a realidade dos 79 municípios sul-mato-grossenses. Sei o que uma obra parada representa para a população. O Senado deve trabalhar para que o Governo Federal tenha a obrigação de concluir o que começa. O dinheiro público não é do governo, é do povo”, concluiu.


