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Desvio de R$ 10 milhões da merenda escolar em Água Clara será julgado pela Justiça Federal em Três Lagoas

O escândalo envolvendo o desvio de R$ 10 milhões destinados à merenda escolar no município de Água Clara, investigado na Operação Malebolge, será analisado pela Justiça Federal em Três Lagoas. A mudança de instância ocorre porque os recursos desviados eram oriundos do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), que é federal.

A operação, deflagrada em 18 de fevereiro por promotores dos Grupos Especiais de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Gaeco e Gecoc), resultou na prisão de 11 pessoas, entre elas empresários, servidores públicos, a então secretária de Finanças do município e o filho de um prefeito. Todos os investigados já foram liberados, mas respondem ao processo.

O juiz da comarca de Água Clara, Pedro Gonçalves Teixeira, determinou o envio do caso à Justiça Federal, por envolver diretamente verbas federais. Com isso, todas as decisões anteriores serão reavaliadas, incluindo os pedidos de revogação de medidas cautelares e juntada de provas.

Segundo as investigações, o grupo criminoso operava um esquema de fraudes em processos licitatórios nas prefeituras de Água Clara e Rochedo, ambos administrados por prefeitos do PSDB. Empresários pagavam propinas a servidores para garantir contratos de fornecimento de produtos, sobretudo para a área da educação. Em alguns casos, os alimentos entregues às escolas estavam estragados.

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 10 milhões. O empresário Douglas Breschigliari, dono da D&B Comércio Atacadista, seria um dos principais articuladores do esquema, que envolvia empresas de fachada, manipulação de certames e conluio com agentes públicos.

O nome da operação faz alusão ao “Malebolge”, uma das divisões do inferno descritas na obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri. No poema, essa área abriga os corruptos e fraudadores, que são punidos de acordo com a gravidade de seus pecados.

Lista dos investigados

Campo Grande:

  • Douglas Geleilaite Breschigliari – empresário
  • Mauro Mayer da Silva – empresário
  • Izolito Amador Campagna Júnior – empresário

Rochedo:

  • Celso Souza Marques – servidor da área de licitações
  • Luciana Mendes Carneiro – empresária
  • Fabrício da Silva – empresário
  • Renato Franco do Nascimento – servidor
  • Fernando Passos Fernandes – filho do prefeito e servidor público

Água Clara:

  • Jânia Alfaro Socorro – servidora da Secretaria de Educação
  • Denise Rodrigues Medis – ex-secretária de Finanças (exonerada)
  • Ana Carla Benette – servidora da Educação

A expectativa é de que, com o novo andamento judicial, o caso avance com a responsabilização dos envolvidos e medidas efetivas para evitar novos casos de corrupção com recursos destinados à educação.

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