Dados do Impostômetro revelam que o estado arrecadou mais de R$ 16 bilhões entre 1º de janeiro e 12 de maio; FCDL-MS cobra contraprestação à altura da carga tributária suportada pela população.
Cada habitante de Mato Grosso do Sul já contribuiu, em média, com aproximadamente R$ 5.600 em tributos ao longo dos primeiros quatro meses e meio de 2026. O cálculo é obtido a partir dos dados do Impostômetro, painel mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que registra em tempo real a arrecadação tributária brasileira.
Os dados também apontam que o total arrecadado por MS, até aqui, foi de R$ 16.293.150.000,00. O montante, registrado entre 1º de janeiro e 12 de maio, evidencia o peso da carga tributária sobre o orçamento das famílias sul-mato-grossenses. A capital Campo Grande, isoladamente, contabilizou R$ 694.937 no mesmo período, segundo os dados do painel.
Para a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), os números reforçam a necessidade de maior fiscalização e conscientização da sociedade. A presidente da entidade, Inês Santiago, destacou o peso da arrecadação e o compromisso que o poder público assume diante desses valores.
“De 1º de janeiro até esse momento, Mato Grosso do Sul arrecadou mais de 16 bilhões, 293 milhões. Número que continua crescendo e que amanhã provavelmente vai ser diferente desse. Isso significa dizer que num estado cuja população é de 2.901.000, cada sul-mato-grossense recolheu, em média, para o estado 5.600 reais de tributo de janeiro até agora. Esse é um número muito significativo e muito importante”, complementa Inês.
A dirigente ressaltou que esses recursos devem ser convertidos em serviços públicos eficientes e condizentes com o valor recolhido. “Esses 5.600 reais por habitante em Mato Grosso do Sul precisam ser devolvidos para a nossa população em educação, em saúde, em transporte, em infraestrutura, em transporte coletivo que possa efetivamente levar e trazer o nosso trabalhador em condições salubres, em um ambiente climatizado, com uma frota de ônibus realmente que faça jus a uma das tarifas mais caras do Brasil, que no caso é Campo Grande”, afirmou.
Por que pagá-los importa?
Impostos são contribuições compulsórias cobradas pelo Estado de pessoas físicas e jurídicas. Eles financiam a máquina pública e são a principal fonte de recursos para áreas essenciais como saúde, educação, segurança, infraestrutura e assistência social. No Brasil, a carga tributária é uma das mais elevadas do mundo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o que torna ainda mais relevante o debate sobre a eficiência do gasto público.
Recolher tributos é um dever cívico e legal, mas o cidadão também tem o direito e o dever de acompanhar como esses recursos são aplicados. Cada nota fiscal emitida, cada compra realizada e cada salário recebido carrega uma parcela destinada ao Estado. Ferramentas como o Impostômetro tornam esse processo transparente e acessível, permitindo que a população visualize, em tempo real, o volume de impostos arrecadados.
A presidente da FCDL-MS pontua que, embora a arrecadação seja necessária para o funcionamento do Estado, a equidade e a contraprestação são indispensáveis.
“Nós sabemos que para um Estado funcionar é preciso haver arrecadação. O que nós discutimos, primeiro, uma arrecadação justa. Segundo, já que ela não é justa, e isso todos nós sabemos, a contraprestação dessa arrecadação tem que estar à altura do que isso custa para a vida de cada sul-mato-grossense e de cada brasileiro”, concluiu.
Estar atento ao que se paga é o primeiro passo para exigir, com embasamento, políticas públicas de qualidade e um uso responsável dos recursos coletivos.


