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De 13 sacos de farinha a R$ 17,5 bilhões: o império varejista do único bilionário de MS

Com fortuna estimada em R$ 3 bilhões, Luiz Humberto Pereira (Beto Pereira) aparece na lista da Forbes à frente de um grupo que reúne 188 unidades, emprega 23 mil pessoas e opera de supermercados a farmácias, restaurantes e serviços financeiros.

Uma carroça, 13 sacos de farinha e uma família disposta a empreender. A estrutura modesta que deu origem ao Grupo Pereira, em 1962, contrasta com os números atuais da companhia: faturamento anual de R$ 17,5 bilhões, 188 unidades de negócio e presença em seis estados e no Distrito Federal.

No centro dessa trajetória está Luiz Humberto Pereira, o Beto Pereira. Aos 47 anos, o presidente do grupo tornou-se o único representante de Mato Grosso do Sul na Lista Forbes Bilionários Brasileiros 2026. Seu patrimônio foi estimado em R$ 3 bilhões, quantia que o colocou na 136ª posição do ranking nacional.

A edição deste ano reúne 255 bilionários brasileiros. O levantamento considera informações públicas e auditadas, tendo como uma das principais referências o valor das participações em empresas listadas em bolsa em 30 de junho de 2026. A publicação observa, contudo, que os patrimônios podem estar subestimados, já que bens como imóveis, aeronaves, embarcações e obras de arte geralmente ficam fora dos cálculos.

A fortuna atribuída a Beto Pereira não deve ser confundida com o faturamento da companhia nem representa dinheiro disponível em conta. Trata-se de uma estimativa do valor de seu patrimônio empresarial. Já a receita do Grupo Pereira corresponde ao total movimentado pelas diferentes operações antes da dedução de despesas, impostos e outros custos.

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Uma empresa que movimenta quase R$ 48 milhões por dia

O Grupo Pereira encerrou 2025 com faturamento de R$ 17,5 bilhões e apareceu na sétima colocação do Ranking Abras 2026, que reúne as maiores empresas do varejo alimentar brasileiro.

Dividido pelos 365 dias do ano, esse resultado equivale a uma receita média próxima de R$ 48 milhões por dia. A dimensão coloca a companhia familiar entre as maiores forças do setor supermercadista nacional.

O tamanho da operação vai muito além das conhecidas bandeiras Comper e Fort Atacadista. Em abril de 2026, o grupo contabilizava 188 unidades de negócio e cerca de 23 mil trabalhadores em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Naquele momento, a estrutura reunia 73 lojas Fort Atacadista, 36 supermercados Comper, 30 farmácias SempreFort, 22 restaurantes Trudy’s, uma steakhouse, três filiais do distribuidor Bate Forte, quatro supermercados Celeiro e uma unidade do Combatt Atacadista.

O portfólio incluía ainda cinco agências de viagens, dois postos de combustíveis, um centro de distribuição e uma operação de distribuição oficial de produtos Nestlé. A empresa também atua com a Perlog, voltada à logística, e com a Vuon, seu braço financeiro.

Lançado em 2019, o cartão da Vuon já ultrapassou 1,6 milhão de emissões. Além do meio de pagamento próprio, a empresa oferece seguros e assistência odontológica, ampliando o relacionamento com os consumidores para além dos corredores dos supermercados.

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Mato Grosso do Sul virou o centro da expansão

Embora tenha sido fundado em Itajaí, Santa Catarina, o Grupo Pereira construiu uma ligação profunda com Mato Grosso do Sul. Campo Grande abriga a matriz operacional da companhia, enquanto São Paulo mantém um escritório corporativo.

Foi na capital sul-mato-grossense que a marca Comper ganhou escala e se tornou uma das redes mais conhecidas do varejo regional. O Estado também teve participação decisiva no crescimento do Fort Atacadista.

A bandeira nasceu como Compre Fort, em Santa Catarina, e chegou ao Centro-Oeste em 2009, quando passou a adotar o nome Fort Atacadista. A expansão acompanhou o avanço econômico das cidades de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, incluindo municípios localizados no chamado cinturão da soja.

Mais tarde, o atacarejo chegou a São Paulo e ao Rio Grande do Sul. A estratégia combinou lojas de grande porte, preços voltados a consumidores e pequenos comerciantes e uma rede logística capaz de abastecer diferentes regiões.

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Crescimento também por aquisições

Além da abertura de unidades próprias, o Grupo Pereira passou a utilizar aquisições para acelerar sua presença no mercado.

Em 2025, assumiu a operação dos Supermercados Schmit, rede com sete lojas e um centro de distribuição em Santa Catarina. No ano seguinte, comprou o Comercial Celeiro, de Chapecó, incorporando quatro supermercados e uma unidade do Combatt Atacadista.

As lojas adquiridas entraram em processo de integração e conversão para as bandeiras do grupo. A operação reforçou a estratégia de ocupar uma mesma região com diferentes formatos: supermercado, atacarejo, farmácia, alimentação e serviços financeiros.

Santa Catarina, onde o negócio nasceu, ainda responde por mais da metade do faturamento da companhia. A aquisição do Comercial Celeiro ampliou justamente a presença no oeste catarinense, uma das áreas economicamente mais importantes do Estado.

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Da farinha a um ecossistema de negócios

A transformação do pequeno comércio criado por Ignácio e Hiltrudes Pereira em uma companhia multibilionária levou mais de seis décadas. Ao longo desse período, a família deixou de atuar somente com supermercados e construiu um ecossistema que acompanha diferentes etapas da jornada de consumo.

O cliente pode comprar alimentos no Comper ou no Fort, abastecer o carro em um posto do grupo, adquirir medicamentos na SempreFort, utilizar o cartão Vuon, contratar uma viagem e fazer uma refeição no Trudy’s. Por trás dessas operações, a Perlog organiza parte da distribuição de mercadorias.

A companhia permanece sob controle familiar, embora tenha adotado uma estrutura de gestão compatível com empresas nacionais de grande porte. Beto Pereira ocupa a presidência e representa uma nova geração à frente do negócio iniciado pelos avós.

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A história também ajuda a explicar por que o único bilionário ligado a Mato Grosso do Sul na lista de 2026 não surgiu da mineração, da pecuária ou da produção de grãos — atividades tradicionalmente associadas às grandes fortunas regionais. Seu patrimônio foi formado principalmente no varejo, multiplicando margens estreitas por milhões de compras realizadas diariamente.

Mais de 60 anos depois daquela primeira carroça, os 13 sacos de farinha deram lugar a centenas de operações, dezenas de marcas e um faturamento contado em bilhões. A entrada de Beto Pereira no ranking expõe a fortuna individual, mas revela sobretudo o tamanho alcançado por uma das maiores empresas privadas construídas a partir de Mato Grosso do Sul.

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