Em 15 anos, setor triplicou o número de trabalhadores e elevou as vendas internacionais para mais de US$ 3 bilhões
Mato Grosso do Sul não exporta apenas mais celulose do que há 15 anos. A expansão dessa cadeia produtiva alterou a estrutura industrial do Estado, abriu uma nova frente de empregos e colocou municípios do interior no mapa dos grandes investimentos internacionais.
Entre 2010 e 2025, o número de trabalhadores ligados ao setor passou de 7.004 para 24.430. O crescimento de 249% significa que a atividade mais do que triplicou sua força de trabalho no período.
A transformação também aparece no comércio exterior. A receita anual das exportações avançou de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões, enquanto o volume embarcado saltou de 857,8 mil para 6,91 milhões de toneladas.
Os resultados colocam a celulose entre os produtos mais importantes da pauta exportadora sul-mato-grossense e mostram como a industrialização da madeira aumentou a participação do Estado no mercado global.

Produção movimenta mais de R$ 20 bilhões
Outro indicador da expansão está no valor bruto da produção. Em 2010, a cadeia movimentava R$ 1,63 bilhão. Em 2024, o total chegou a R$ 20,4 bilhões — alta de 1.148%.
Para o economista-chefe da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Ezequiel Resende, poucos segmentos cresceram tão rapidamente e com tamanho impacto sobre a indústria estadual.
“A celulose é uma nova locomotiva. Pelo volume de investimentos, pelo rápido crescimento e pela participação na atividade econômica e industrial do Estado, ela se consolidou como um dos principais ramos da indústria de transformação de Mato Grosso do Sul”, avalia.
O setor combina uma base florestal extensa com fábricas de grande capacidade produtiva, fornecedores especializados, transportadoras, serviços de manutenção e estruturas logísticas. Dessa forma, os efeitos econômicos não ficam restritos ao interior das plantas industriais.
A instalação de novos empreendimentos também movimenta construção civil, comércio, qualificação profissional e prestação de serviços nos municípios que integram a cadeia.

Produto industrializado ganha espaço
A ascensão da celulose ajuda a explicar outra mudança na economia estadual: o crescimento dos produtos industrializados nas exportações. Em vez de comercializar somente matérias-primas, Mato Grosso do Sul ampliou a presença de mercadorias processadas e com maior valor agregado.
“O melhor exemplo dessa transformação é a celulose. Ganhamos novos produtos de maior valor agregado, alcançamos novos mercados e aumentamos significativamente nossa presença internacional”, afirma Resende.
A atividade está sustentada principalmente por florestas plantadas de eucalipto, que abastecem as indústrias instaladas no Estado. A escala alcançada pela produção consolidou Mato Grosso do Sul como um dos principais polos brasileiros do setor.
Mais do que uma sequência de fábricas, a celulose formou um novo eixo econômico, especialmente no leste sul-mato-grossense. O avanço das exportações, dos empregos e do valor produzido mostra que a cadeia deixou de ocupar um papel complementar e passou a influenciar diretamente os rumos da indústria estadual.


