A confirmação de que a celulose brasileira estará entre os produtos isentos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos representa um importante alívio para Mato Grosso do Sul, estado que concentra alguns dos maiores investimentos do setor no mundo e vem consolidando o chamado Vale da Celulose.
A decisão do governo norte-americano preserva um dos segmentos mais relevantes da economia sul-mato-grossense. Somente no primeiro semestre de 2026, as exportações de celulose de Mato Grosso do Sul para o mercado americano movimentaram cerca de US$ 59,4 milhões, valor que continuará livre da sobretaxa anunciada pelo presidente Donald Trump.
A manutenção da competitividade da celulose ocorre em um momento de forte expansão da cadeia florestal no Estado, impulsionada por investimentos bilionários de empresas como Suzano, Eldorado Brasil, Arauco e Bracell. Juntas, essas indústrias transformaram Mato Grosso do Sul em um dos principais polos mundiais de produção de fibra curta de eucalipto.
Além da celulose, outros produtos estratégicos da pauta exportadora estadual também ficaram fora da nova cobrança, entre eles a carne bovina e o ferro-gusa. Com isso, praticamente toda a receita obtida por Mato Grosso do Sul nas vendas aos Estados Unidos permanece protegida das novas barreiras comerciais.
Levantamento com base nos dados do comércio exterior mostra que cerca de 97% do valor exportado pelo Estado ao mercado norte-americano no primeiro semestre está concentrado em mercadorias incluídas na lista de exceções divulgada pelas autoridades dos Estados Unidos.

Vale da Celulose ganha fôlego
Para a indústria de base florestal, a decisão reduz o risco de perda de competitividade em um dos principais mercados consumidores do mundo. A exclusão da celulose da sobretaxa também reforça a segurança para os investimentos em andamento no Estado, que devem elevar significativamente a capacidade produtiva nos próximos anos.
Com a entrada em operação de novas fábricas e a expansão da área de florestas plantadas, Mato Grosso do Sul caminha para se consolidar como o maior produtor mundial de celulose de eucalipto, posição que deve ampliar ainda mais sua participação nas exportações brasileiras.
Apesar da ampla lista de exceções, alguns itens da pauta exportadora sul-mato-grossense continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%. Entre eles está o sebo bovino, utilizado como matéria-prima para diferentes segmentos industriais, além de outros produtos com menor participação nas vendas ao mercado americano.
A nova política comercial dos Estados Unidos passa a valer para as importações realizadas a partir de 22 de julho e integra um pacote de medidas anunciado pela administração de Donald Trump. Ainda assim, a preservação da celulose e de outras commodities estratégicas reduz significativamente os impactos da medida sobre a economia de Mato Grosso do Sul.


