A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros deverá ter impacto limitado sobre as exportações de Mato Grosso do Sul. Isso porque os principais itens comercializados pelo Estado com o mercado norte-americano ficaram fora da lista de produtos atingidos pela medida.
O anúncio foi feito após uma investigação comercial conduzida pelas autoridades dos Estados Unidos, que apontaram supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. Apesar da adoção das novas tarifas, o documento oficial divulgado pelo governo estadunidense estabeleceu uma série de exceções para produtos considerados estratégicos à economia do país.
Entre os itens preservados estão justamente os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul, como carne bovina, celulose e ferro-gusa.
Dados do setor industrial mostram que, entre janeiro e abril deste ano, o Estado exportou aproximadamente R$ 1,45 bilhão para os Estados Unidos, atualmente o segundo principal destino das exportações sul-mato-grossenses, atrás apenas da China.
Carne bovina lidera exportações
A carne bovina congelada, principal produto exportado por Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos, ficou de fora da nova taxação. O item respondeu por cerca de metade de tudo o que o Estado vendeu ao mercado norte-americano no primeiro quadrimestre de 2026.
No período, os embarques do produto geraram receitas superiores a R$ 730 milhões para o setor frigorífico estadual.
Outro segmento preservado foi o de ferro-gusa, matéria-prima amplamente utilizada pela indústria norte-americana. O produto representa quase um quarto das exportações sul-mato-grossenses para os Estados Unidos e movimentou cerca de R$ 359 milhões nos quatro primeiros meses do ano.
A celulose, um dos pilares da economia estadual e símbolo da força industrial de Mato Grosso do Sul, também integra a lista de exceções estabelecida pelo governo norte-americano. As exportações do produto ultrapassaram R$ 212 milhões no período analisado.
Outros itens relevantes da pauta exportadora estadual, como carne bovina refrigerada, carne salgada e filés de tilápia, também permaneceram fora da nova cobrança.
Setor acompanha efeitos sobre o etanol
Embora as principais exportações tenham sido preservadas, especialistas avaliam que o setor sucroenergético merece atenção especial diante dos desdobramentos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O etanol aparece entre os produtos que estão no centro das discussões comerciais entre os dois países. Um dos pontos levantados pelas autoridades norte-americanas está relacionado às tarifas aplicadas pelo Brasil sobre o combustível importado dos Estados Unidos.
O tema ganha relevância para Mato Grosso do Sul, que vem ampliando sua participação na produção nacional de etanol, especialmente por meio das usinas de etanol de milho instaladas no Estado.
Na avaliação de representantes do setor de combustíveis, a eventual redução das exportações pode aumentar a oferta do produto no mercado interno brasileiro, criando um cenário favorável para o consumidor.
Com maior disponibilidade de etanol, a tendência é de aumento da competitividade do combustível frente à gasolina, embora ainda seja cedo para medir os efeitos práticos das novas medidas comerciais.
Mercado segue atento
Apesar do anúncio das tarifas, o cenário é visto com relativa tranquilidade pelos setores produtivos de Mato Grosso do Sul. A exclusão dos principais produtos da pauta exportadora estadual reduz significativamente os riscos de perdas econômicas imediatas.
Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 2,7 bilhões em produtos sul-mato-grossenses, consolidando-se como um dos mercados mais importantes para a indústria e o agronegócio do Estado.
Agora, empresários e entidades do setor acompanham os próximos desdobramentos das negociações comerciais entre os dois países para avaliar possíveis impactos futuros sobre segmentos ainda em expansão, como o etanol e outras cadeias produtivas voltadas ao mercado internacional.


