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Bioceânica pode transformar MS em corredor estratégico e movimentar até US$ 2 bilhões por ano

A Rota Bioceânica, considerada um dos mais ambiciosos projetos de integração logística da América do Sul, tem potencial para movimentar cerca de US$ 2 bilhões por ano em novas operações comerciais entre os países que integram o corredor. A estimativa foi apresentada pelo diplomata e ministro do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária – Rota Bioceânica.

O evento reuniu representantes do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, países que integram o corredor internacional que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de uma malha rodoviária com mais de 3,2 mil quilômetros de extensão.

Segundo o diplomata, o principal ganho não estará apenas na ampliação das exportações para a Ásia, mas também no fortalecimento do comércio entre os próprios países sul-americanos.

Atualmente, o Brasil movimenta bilhões de dólares em negociações com os mercados vizinhos, grande parte delas por transporte rodoviário. Com a conclusão da rota, cargas que hoje percorrem trajetos mais longos por estados do Sul do país poderão utilizar o novo corredor logístico, reduzindo distâncias, custos e tempo de deslocamento.

A expectativa é que esse redirecionamento de fluxos comerciais gere um volume adicional de aproximadamente US$ 2 bilhões por ano apenas em negócios realizados dentro do próprio continente.

Mato Grosso do Sul no centro da integração

O novo corredor posiciona Mato Grosso do Sul como uma peça estratégica da logística sul-americana.

Porto Murtinho será a principal porta de entrada da rota no Brasil e deverá concentrar parte significativa da movimentação de cargas destinadas aos mercados do Pacífico.

A localização privilegiada do Estado tem atraído a atenção de investidores e especialistas em logística, que enxergam na Rota Bioceânica uma oportunidade de transformar a região em um importante centro de distribuição e escoamento de produtos.

A expectativa é que mercadorias produzidas no Centro-Oeste, Norte e até no Nordeste brasileiro passem a utilizar o novo trajeto para acessar mercados internacionais, reduzindo a dependência de rotas tradicionais que hoje passam por estados como Rio Grande do Sul e Paraná.

Desafio agora é integrar as fronteiras

Apesar do avanço das obras físicas, um dos principais desafios apontados pelos participantes do fórum é a harmonização dos procedimentos aduaneiros entre os quatro países.

A meta é criar mecanismos que tornem a travessia das fronteiras mais rápida e eficiente, reduzindo burocracias e custos operacionais para transportadores e exportadores.

Entre as iniciativas já em andamento está a adesão do Brasil à Convenção TIR, sistema internacional que funciona como uma espécie de “passaporte de cargas”. O modelo permite que mercadorias sejam lacradas na origem e inspecionadas apenas no destino final, eliminando diversas etapas de fiscalização ao longo do percurso.

A medida é vista como um passo importante para tornar o corredor mais competitivo e alinhado às melhores práticas internacionais de logística.

Novas oportunidades para produtos brasileiros

A Rota Bioceânica também deverá abrir novas possibilidades para diversos setores produtivos.

Entre os produtos apontados como potenciais beneficiários estão a carne bovina, carne de frango, grãos, minérios e alimentos processados.

O corredor poderá reduzir significativamente os custos de transporte para mercados como Chile, Peru e outros países da costa do Pacífico, além de facilitar o acesso aos grandes centros consumidores da Ásia.

Empresas brasileiras que atualmente utilizam rotas mais longas e complexas terão a possibilidade de encurtar trajetos e aumentar a competitividade de seus produtos no mercado internacional.

Redução de custos e ganho de competitividade

Quando concluída, a Rota Bioceânica deverá representar uma mudança histórica na logística sul-americana.

Estudos apontam que o corredor poderá reduzir em até 30% os custos de transporte e encurtar em até 15 dias o tempo necessário para que cargas brasileiras alcancem mercados asiáticos, em comparação com rotas marítimas tradicionais que utilizam o Canal do Panamá.

Para Mato Grosso do Sul, a expectativa vai além da logística. O projeto é visto como uma oportunidade de atrair novos investimentos, ampliar a industrialização e fortalecer cadeias produtivas já consolidadas, como o agronegócio, a celulose, a proteína animal e a mineração.

Com obras avançando em diferentes trechos do corredor e a Ponte Internacional de Porto Murtinho em fase final de execução, a Rota Bioceânica se aproxima cada vez mais de transformar uma antiga proposta de integração em uma realidade capaz de redesenhar o mapa econômico da América do Sul.

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