Política

Audiência Pública discute o Maio Laranja e destaca alarmante número de abusos em Três Lagoas

Na noite de quarta-feira (28), a Câmara Municipal de Três Lagoas sediou uma audiência pública dedicada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, no contexto do Maio Laranja. A iniciativa foi do vereador professor Pedrinho Júnior e teve o apoio unânime dos parlamentares.

Participaram da audiência autoridades municipais como os vereadores Davis Martinelli, Evalda Reis, Maria Diogo, Sirlene dos Santos e Fernando Jurado, além da secretária municipal de Educação, Ângela Brito. Também marcaram presença representantes do Conselho Tutelar, do CREAS, da Polícia Militar e de diversas entidades da rede de proteção à infância.

A abertura do evento contou com a apresentação da Banda Cristo Redentor, que preparou o clima para as discussões que viriam em seguida. O psicólogo André Masao Peres Tokuda, do CREAS, foi o primeiro a falar. Ele explicou que o órgão atua quando a violação já aconteceu e destacou a importância do diálogo dentro de casa para identificar sinais de abuso. Segundo André, em Três Lagoas, o CREAS atendeu 65 casos de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes só nos últimos 12 meses. “A maioria das vítimas tem entre 7 e 12 anos, e a maior parte dos casos ocorre dentro de casa”, alertou.

cedida/CMTL

O conselheiro tutelar Paulo Vinícius de Almeida Molina também trouxe um relato preocupante ao mencionar um caso recente envolvendo uma bebê de apenas 10 meses, abusada por um familiar. Ele enfatizou a necessidade de acolhimento e destacou que os números são cada vez mais alarmantes.

A advogada Juliana Miranda Alfaia da Costa falou sobre a Lei Federal que oficializou o Maio Laranja como campanha nacional, reforçando a importância de eventos educativos para conscientização. Já a delegada Sayara Quinteiro Martins Baetz apresentou a atuação da Polícia Civil no município, detalhando as etapas de investigação e explicando como funciona a escuta especializada das vítimas. Ela chamou atenção para o dado de que 82% dos abusadores são pessoas conhecidas pelas vítimas, como pais e padrastos, e que o horário com maior incidência de casos é das 6h às 18h, quando muitas mães estão trabalhando.

Jorge Luiz Fachini da Silva, do projeto Proteção (Sest/Senat e Childhood Brasil), foi o último a falar. Ele detalhou a atuação da iniciativa que trabalha com conscientização e prevenção do abuso em 170 unidades espalhadas pelo país.

A audiência pública ainda contou com a exibição de um vídeo que trouxe dados preocupantes sobre o número de casos em Mato Grosso do Sul e em Três Lagoas no ano de 2023. Ao final, foi aberto espaço para perguntas e os palestrantes receberam lembranças como forma de agradecimento.

Para o vereador professor Pedrinho Júnior, a audiência representou um passo importante na luta pela proteção das crianças e adolescentes. “Foi uma noite especial, de luta, que queremos ver se multiplicar em outras ações e projetos”, concluiu.

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