Comprometida com processos produtivos sustentáveis e com os menores impactos ambientais de suas atividades, a Arauco iniciou a produção própria de biocontroladores e a liberação, em campo, de microvespas parasitoides para o manejo de pragas do eucalipto. Bastante difundida no setor florestal e também na agricultura, a técnica, conhecida como controle biológico, “diminui o uso de químicos no manejo florestal e é altamente eficaz e sustentável para conter a presença de lagartas desfolhadoras do eucalipto”, destaca a doutora Mariane Aparecida Nickele, pesquisadora e coordenadora de Fitossanidade da Arauco.
Segundo ela, estão sendo liberadas duas espécies de microvespas nos plantios, Trichospilus diatraeae e Tetrastichus howardi, que começaram a ser produzidas pela Arauco a partir de fevereiro deste ano, nas instalações do Instituto Senai de Inovação em Biomassa, em Três Lagoas (MS), parceiro da companhia nas pesquisas. “O ciclo de desenvolvimento dos parasitoides no laboratório dura de 16 a 20 dias, e os adultos liberados em campo vivem em torno de oito dias”, explica a coordenadora.
“As lagartas desfolhadoras compreendem várias espécies da ordem Lepidoptera que, na fase larval, alimentam-se de folhas e, na fase adulta, são mariposas. As lagartas desfolhadoras são consideradas pragas de grande risco em plantios de eucalipto porque podem causar perdas de até 30% de produtividade, se não forem manejadas”, ressalta Mariane. As espécies mais frequentes na região são a Thyrinteina arnobia, popularmente conhecida como lagarta-parda-do-eucalipto, e a Iridopsis panopla, ou lagarta-medideira.
De acordo com a coordenadora, o que as microvespas fazem é “depositar os seus ovos no interior das pupas — fase de casulo no ciclo de vida das lagartas —, impedindo o desenvolvimento da praga. Das pupas parasitadas irão emergir novas microvespas, em vez de mariposas, interrompendo a proliferação dessas pragas”, explica a pesquisadora. “De uma única pupa hospedeira podem emergir, em média, 250 vespinhas parasitoides que, por sua vez, irão parasitar novas pupas da praga”, complementa.
Estratégia sustentável
Mariane ressalta que a meta da Arauco é reduzir ao mínimo o uso de defensivos químicos no combate às pragas do eucalipto. “No manejo de lagartas desfolhadoras, o controle químico é pontual, sendo realizado nas situações em que há sobreposição de gerações da praga. Na maioria das aplicações em campo, já se utiliza o controle biológico, por meio de pulverizações de inseticidas biológicos à base da bactéria Bacillus thuringiensis. A liberação de parasitoides nos plantios vem para contribuir com o manejo integrado de pragas, evitando que a população de lagartas alcance o nível de controle, reduzindo, assim, as pulverizações em campo”, afirma.
O primeiro passo foi dado com a liberação inicial de parasitoides produzidos pela própria Arauco, na Fazenda Garça Real, em Inocência (MS), em março. “Sinto muito orgulho de esse projeto ter se tornado realidade, pois é uma estratégia econômica e sustentável que traz impactos positivos ao setor florestal, à sociedade e ao meio ambiente. Desde então, já foram liberados mais de 6 milhões de parasitoides em campo”, diz Mariane. “Isso só foi possível graças à parceria da Arauco com o Instituto Senai de Inovação em Biomassa e ao intenso trabalho da nossa equipe de P&D em Fitossanidade, além da interação com instituições de pesquisa, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)”, acrescenta.
Sobre o Projeto Sucuriú
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$ 4,6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano. Está localizado em uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do Rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024, e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.
Em todas as fases de desenvolvimento do projeto, e de maneira contínua, a Arauco monitora e respeita a biodiversidade local, identificando espécies da flora e da fauna nativas da região, além de realizar o mapeamento das áreas prioritárias para conservação.
Durante as obras, a Arauco oferecerá capacitação e gerará mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do start-up, o Projeto Sucuriú empregará cerca de 6 mil pessoas nas unidades Industrial e Florestal e nas operações de Logística. O propósito é impulsionar o desenvolvimento social e econômico de toda a região, fomentando o aumento da geração de renda e da arrecadação de impostos, além de contribuir para atrair investimentos.
Sobre a Arauco Brasil
No país desde 2002, a Arauco atua nos segmentos Florestal e de Madeiras com o propósito de, a partir da natureza e de fontes renováveis, contribuir com as pessoas e o planeta. Emprega mais de 3 mil colaboradores próprios e conta com cinco unidades industriais brasileiras.
As plantas estão distribuídas entre a produção de painéis, em três fábricas localizadas nas cidades de Jaguariaíva (PR), Ponta Grossa (PR) e Montenegro (RS); painéis e molduras, na planta localizada em Piên (PR); e resinas e produtos químicos, na unidade de Araucária (PR). Em 2027, a empresa prepara-se para inaugurar sua primeira fábrica de celulose no Brasil, em Inocência (MS).
Com atuação orientada por práticas ESG, a Arauco possui certificação FSC® (Forest Stewardship Council®) em suas florestas, que reconhece o manejo ambientalmente responsável, socialmente justo e economicamente viável. Globalmente e no país, opera priorizando a gestão responsável da água, a conservação da biodiversidade e a retirada de gás carbônico da atmosfera.


