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Brasil bate recorde com 84,2 milhões de inadimplentes; MS tem a 4ª maior taxa do país

Mais de 60% dos adultos sul-mato-grossenses tinham contas em atraso em agosto; no cenário nacional, número de negativados chegou a 84,2 milhões em setembro

Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com maior proporção de consumidores inadimplentes do Brasil. Em agosto de 2026, 60,86% da população adulta sul-mato-grossense tinha alguma dívida vencida e registrada nos cadastros de restrição ao crédito.

O percentual colocou o Estado na quarta posição do ranking nacional, atrás apenas do Amapá, com 64,94%; do Distrito Federal, com 63,15%; e do Amazonas, com 61,19%.

Na comparação com o resultado brasileiro daquele mês, de 51,06%, a taxa de Mato Grosso do Sul foi 9,8 pontos percentuais superior.

Dentro do Centro-Oeste, o Estado ocupou a segunda posição, novamente atrás do Distrito Federal. Mato Grosso apresentou índice de 53,47%, enquanto Goiás registrou 47,31%.

Os dados fazem parte do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O levantamento considera consumidores com débitos vencidos e inscritos nos cadastros de inadimplência.

Consumidores de MS já fecharam 73 mil acordos

Apesar do elevado número de pessoas com contas atrasadas, Mato Grosso do Sul também apresentou movimento significativo de renegociação. Somente em agosto, foram fechados 73.128 acordos pela plataforma Serasa Limpa Nome.

Naquele período, os consumidores do Estado tinham acesso a mais de 11 milhões de propostas para regularizar pendências com bancos, empresas de telefonia, comércio, concessionárias e outros credores.

Os dados estaduais mais recentes disponíveis são de agosto. Já o levantamento nacional de setembro mostra que a inadimplência continuou crescendo no mês seguinte.

O Brasil chegou a 84,2 milhões de pessoas negativadas, maior contingente da série histórica da Serasa. Em agosto, eram 83,9 milhões, o que representa a entrada de aproximadamente 300 mil consumidores nos cadastros em apenas um mês.

Desde 2020, o número de inadimplentes cresceu 34,17%. Na comparação entre setembro de 2025 e o mesmo mês deste ano, o aumento foi de 6%.

O total das dívidas alcançou R$ 597,4 bilhões. Cada consumidor devia, em média, R$ 7.093,83, valor equivalente a aproximadamente 4,4 salários mínimos. A quantia média por débito ficou em torno de R$ 1,7 mil.

Bancos e cartões de crédito concentraram 27,16% das pendências. As financeiras passaram ao segundo lugar, com 20,66%, ultrapassando pela primeira vez as contas básicas de água, energia elétrica e gás, responsáveis por 20,32%.

As mulheres representaram 50,5% dos negativados, enquanto os homens corresponderam a 49,5%. A maior concentração estava entre consumidores de 41 a 60 anos, que formavam 35,7% do total.

Na sequência apareceram as pessoas de 26 a 40 anos, com 33,2%; os consumidores acima de 60 anos, com 20,1%; e os jovens de 18 a 25 anos, com 11%.

Feirão até dezembro oferece descontos que chegam a 99%

Com a inadimplência em nível recorde, começou nesta terça-feira (3) uma nova edição do Feirão Serasa Limpa Nome. A campanha prossegue até 6 de dezembro e reúne 3,3 mil empresas de diferentes setores.

Mais de 750 milhões de ofertas estão disponíveis em todo o país, volume 14% superior ao registrado na edição anterior. Os descontos podem chegar a 99%, mas dependem da empresa credora, da dívida e da forma de pagamento escolhida.

Em débitos elegíveis pagos por Pix, a restrição poderá ser retirada logo após a confirmação da transação. A regularização completa do CPF, entretanto, depende da inexistência de outras pendências negativadas.

As negociações podem ser realizadas pelo site, aplicativo ou WhatsApp oficial da Serasa, no número (11) 99575-2096. Também há atendimento presencial em mais de 7 mil agências dos Correios, sem cobrança de taxa durante a campanha.

Na edição anterior, mais de 10,2 milhões de acordos foram fechados no país.

Além do número de negativados, outro indicador revela a pressão das dívidas sobre o orçamento doméstico. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostra que quase 20% das famílias brasileiras destinam mais da metade da renda ao pagamento de compromissos financeiros.

O comprometimento médio subiu de 29,3% para 29,6% em setembro. Embora a parcela de famílias endividadas tenha recuado de 82% para 81,7%, o período médio de atraso chegou a 65,3 dias, maior marca desde novembro de 2024.

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 38,5% possuíam contas vencidas. Desse grupo, 18,5% afirmaram não ter condições de regularizar os débitos no mês seguinte.

Especialistas recomendam que o consumidor avalie o orçamento antes de aceitar uma proposta. Uma renegociação com parcelas incompatíveis com a renda pode provocar novo atraso e manter a família no ciclo da inadimplência.

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