Projeto elevará a capacidade de transmissão do Estado para 500 kV e permitirá a conexão de novos empreendimentos de energia renovável
Mato Grosso do Sul será contemplado por um amplo projeto de modernização da rede elétrica que também alcançará Goiás e Paraná. O pacote prevê R$ 4,11 bilhões em investimentos, 1.167 quilômetros de novas linhas de transmissão e a implantação de subestações.
A principal mudança para o Estado será a chegada da estrutura de 500 quilovolts à Rede Básica. Atualmente, as instalações sul-mato-grossenses desse sistema operam com tensão limitada a 230 kV.
Na prática, a ampliação permitirá transportar uma quantidade maior de energia com segurança e eficiência. O reforço também abrirá espaço para conectar novos projetos de geração, principalmente aqueles ligados à biomassa e à energia solar.
O empreendimento foi arrematado pela Celeo Redes Brasil durante o último leilão de transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica em 2026. A empresa terá até 60 meses, após a assinatura do contrato, para entregar as obras. A estimativa é de geração de 8.225 empregos durante a implantação.
Rio Brilhante será ponto estratégico da nova rede
Um dos principais trechos ligará Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, a Sarandi, no Paraná. A linha terá 620 quilômetros e operará em 500 kV. Uma nova subestação também será construída em Rio Brilhante, com capacidade de transformação de 2.400 megavolt-amperes.
Outra conexão sairá de Rio Verde Norte, em Goiás, passará por Chapadão e seguirá até Rio Brilhante. Esse eixo terá 547 quilômetros e contará com uma subestação em Chapadão, projetada para 1.200 megavolt-amperes.
Além de melhorar a ligação elétrica entre Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná, o sistema ajudará no escoamento da energia produzida no Estado e poderá contribuir para a integração energética entre Brasil e Bolívia.
A Celeo apresentou proposta de Receita Anual Permitida de R$ 377,09 milhões, valor 50,55% inferior ao limite fixado pela agência reguladora. Esse indicador corresponde à remuneração anual da concessionária pela construção, operação e manutenção das instalações.
Considerando todos os lotes, o leilão contratou R$ 8,87 bilhões em obras distribuídas por sete estados. A redução obtida nas propostas representa uma economia estimada em R$ 20,77 bilhões para os consumidores ao longo dos 30 anos das concessões.

