Encontro abordou sintomas, formas de diagnóstico e tratamentos disponíveis, incluindo o uso de aparelhos intraorais
Milhões de brasileiros convivem com ronco e apneia sem saber que sofrem de um distúrbio capaz de comprometer o coração, o metabolismo, a memória e a disposição ao longo do dia. O alerta foi apresentado aos servidores da Câmara Municipal de Três Lagoas durante palestra realizada nesta segunda-feira (14).
A atividade ocorreu no plenário do Legislativo e foi organizada pelo Departamento de Recursos Humanos em parceria com a Escola do Legislativo Conselheiro Cícero Antônio de Souza (Eletrês). A programação integrou as ações voltadas à saúde preventiva e ao bem-estar dos colaboradores.
Com o tema “Saúde do sono: ronco e apneia do sono e a atuação da odontologia”, a palestra foi conduzida pelo cirurgião-dentista Marcos Antônio Campos Faria. O profissional é especialista em Ortodontia e Odontopediatria pela Unesp de Araçatuba, tem pós-graduação em Sono pelo Instituto de Ensino Albert Einstein, em São Paulo, e integra a Associação Brasileira de Odontologia do Sono.
Na abertura, o presidente da Câmara, vereador Tonhão, destacou a importância de oferecer aos servidores atividades que unam informação, prevenção e qualidade de vida.
Durante a apresentação, Marcos Faria afirmou que entre 50 milhões e 60 milhões de pessoas podem sofrer com ronco e apneia no Brasil. Segundo ele, aproximadamente 80% dos casos permanecem sem diagnóstico.
O especialista explicou que alimentação equilibrada, atividade física e sono de qualidade formam três pilares essenciais para a manutenção da saúde. Quando o descanso é insuficiente ou interrompido repetidamente, diferentes funções do organismo podem ser prejudicadas.
Interrupções na respiração sobrecarregam o organismo
A apneia obstrutiva do sono ocorre quando há bloqueio parcial ou completo da passagem do ar durante o descanso. Com o relaxamento da musculatura, a mandíbula e a língua podem se deslocar para trás e dificultar a respiração.
A queda da oxigenação faz com que o cérebro provoque pequenos despertares para restabelecer o fluxo de ar. Esse processo pode se repetir várias vezes em uma única hora, mesmo sem que a pessoa perceba.
De acordo com o palestrante, cada episódio pode provocar picos de pressão arterial e estimular a liberação de adrenalina e cortisol. Quando frequente, essa sobrecarga aumenta o risco de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.
A apresentação também abordou a relação entre a falta de sono profundo e o comprometimento das funções cerebrais. É nessa fase do descanso que o organismo realiza processos importantes de recuperação e eliminação de resíduos acumulados no cérebro.
Entre os sinais que merecem atenção estão cansaço persistente, sonolência durante o dia, irritabilidade, dor de cabeça ao acordar, falhas de memória, raciocínio mais lento, alterações hormonais e oscilações na pressão arterial.
Diagnóstico e tratamento
A investigação da apneia pode envolver exames como a polissonografia, realizada em ambiente especializado, além de equipamentos portáteis que monitoram determinados parâmetros do sono.
A odontologia também pode participar do tratamento por meio de aparelhos intraorais personalizados. Esses dispositivos mantêm a mandíbula levemente projetada para a frente durante a noite, ajudando a evitar o bloqueio das vias respiratórias pela língua.
O uso pode ser indicado em casos leves ou moderados, conforme avaliação profissional, e atuar como alternativa ou complemento ao CPAP, aparelho que mantém as vias aéreas abertas por meio de pressão contínua. Em crianças, o atendimento pode envolver tratamento precoce com ortopedia funcional e acompanhamento conjunto de outros especialistas, como o otorrinolaringologista.
A programação terminou com perguntas dos servidores. A orientação central foi procurar avaliação especializada diante de ronco frequente, pausas na respiração ou cansaço persistente, uma vez que o diagnóstico correto define o tratamento mais adequado para cada paciente.


