A novela do contorno rodoviário de Três Lagoas ganhou mais um capítulo sem desfecho. Em junho de 2026, a obra, considerada uma das mais importantes para a mobilidade urbana e logística do município, continua sem previsão concreta de conclusão e já se transformou em motivo de críticas, memes nas redes sociais e ironias entre os moradores.
Nas internet e em conversas do dia a dia, não faltam comentários comparando o contorno a outras obras que parecem não ter fim, como a fábrica de fertilizantes da Petrobras (UFN-3) e a nova sede do Detran/MS, obra do governo estadual que simplesmente não fica pronta, às margens da rodovia BR-158 (saída para Brasilândia). Para muitos três-lagoenses, os empreendimentos se tornaram um retrato da dificuldade enfrentada pela cidade quando o assunto é a entrega de grandes obras públicas.
A situação tem gerado crescente desgaste político. Moradores apontam que, enquanto Três Lagoas se consolida como um dos principais polos econômicos do país, importantes investimentos públicos seguem acumulando atrasos e indefinições. Nos bastidores, a percepção é de que tanto o Governo Federal quanto o Governo do Estado têm sido omissos na condução de soluções efetivas para destravar projetos considerados estratégicos para o município e que falta representatividade política na cobrança destas entregas.
A frustração aumenta porque o contorno rodoviário foi apresentado como uma obra fundamental para retirar o tráfego pesado da área urbana, melhorar a mobilidade e aumentar a segurança no trânsito. Entretanto, anos após seu início, caminhões continuam cruzando diariamente a Avenida Ranulpho Marques Leal, principal corredor de acesso da cidade, colocando em risco a segurança de motoristas e transeuntes das vias públicas municipais.

Crescimento da cidade contrasta com lentidão da obra
O atraso chama ainda mais atenção diante do momento econômico vivido por Três Lagoas. Enquanto novas indústrias chegam à região, a cadeia da celulose se fortalece e bilhões de reais são investidos pela iniciativa privada, uma das principais obras de infraestrutura pública do município permanece sem conclusão.
Lideranças locais avaliam que o empreendimento deveria acompanhar o ritmo de crescimento da cidade, preparando a malha viária para a expansão econômica que já é realidade. No entanto, a obra segue cercada por impasses burocráticos e administrativos que se arrastam há meses.

Entenda o impasse
A interrupção dos trabalhos ocorreu inicialmente em razão do período chuvoso registrado no fim de 2024. A expectativa era de que as atividades fossem retomadas nos primeiros meses de 2025, o que acabou não acontecendo.
Desde então, divergências contratuais passaram a travar o avanço do projeto. A empresa responsável pela execução alegou ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) um desequilíbrio econômico-financeiro, apontando diferenças entre o anteprojeto original e as condições encontradas durante a execução da obra, especialmente em relação ao fornecimento de insumos como brita e areia.
Apesar da paralisação, parte significativa do empreendimento já foi executada. Cerca de 15 quilômetros do contorno receberam pavimentação em concreto. O projeto completo prevê ainda a construção de sete obras de arte especiais, sendo seis viadutos e uma ponte sobre o Córrego do Onça.
Mesmo com recursos reservados para a continuidade dos serviços — incluindo aproximadamente R$ 33 milhões já disponíveis e a previsão de novos investimentos federais que podem superar R$ 200 milhões —, a obra continua sem uma definição concreta sobre sua retomada.
Enquanto isso, cresce a sensação entre os moradores de que o contorno rodoviário se transformou em mais uma promessa de obra inacabada, ou popularmente chamado de outro “elefante branco” para o município.
E, a cada novo aniversário da cidade sem a entrega da obra, aumenta a cobrança para que os governos deixem os discursos de lado e apresentem, finalmente, uma solução definitiva para projetos considerados essenciais para o futuro de Três Lagoas e da região.







