Um trabalhador precisaria receber R$ 3.162 por mês para ajudar a garantir condições básicas e dignas de vida à família nas regiões Leste, Centro-Norte e Sudoeste de Mato Grosso do Sul. O cálculo inclui municípios como Três Lagoas e considera gastos com moradia, alimentação, transporte, saúde, educação e outras necessidades essenciais.
A estimativa consta em um levantamento do Anker Research Institute (ARI), elaborado em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Os valores têm como referência junho de 2025 e foram obtidos por meio da Metodologia Anker®, com base em pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outras bases nacionais. O trabalho recebeu apoio financeiro da Suzano.
O levantamento evidencia diferenças expressivas no custo de vida dentro do próprio Estado. Em Campo Grande, o salário considerado digno foi estimado em R$ 4.015 mensais, montante 42,9% superior aos R$ 2.808 calculados para a região do Pantanal.
Família precisaria de quase R$ 5 mil na região de Três Lagoas
O estudo também apresenta a chamada renda digna, correspondente ao valor total necessário para uma família típica de quatro pessoas manter um padrão básico e adequado de vida.
Na macrorregião que reúne o Leste, o Centro-Norte e o Sudoeste — onde vive 58,6% da população estadual —, uma família precisaria de R$ 4.937 por mês. Na Capital, a estimativa alcança R$ 6.181, enquanto no Pantanal fica em R$ 4.435.
Para chegar aos valores, os pesquisadores consideraram que uma residência possui, em média, entre 1,72 e 1,75 trabalhador em tempo integral. Também foram contabilizados os descontos obrigatórios sobre os salários e uma reserva de 5% para despesas emergenciais.
Além da alimentação e da habitação, a composição da renda inclui transporte, saúde, educação, cultura e outros custos indispensáveis para uma família viver com segurança e dignidade.
Custo de vida muda conforme a região
O diretor da Iniciativa ARI-Cebrap, Ian Prates, explicou que as diferenças identificadas no levantamento demonstram as limitações de se adotar apenas uma referência nacional para avaliar a remuneração dos trabalhadores.
“Quando o cálculo considera o território, fica claro que o custo do básico não é igual em todas as regiões. Em Mato Grosso do Sul, a distância entre Campo Grande e o Pantanal é muito significativa. O dado permite discutir remuneração com uma referência ligada às condições locais”, afirmou.
Para a pesquisa, Mato Grosso do Sul foi separado em três áreas: a região do Pantanal; o conjunto formado pelo Centro-Norte, Leste e Sudoeste; e Campo Grande. A Capital concentra 32,9% da população estadual, enquanto os municípios pantaneiros reúnem 8,5%.
Os responsáveis pelo estudo ressaltam que o salário digno não substitui o salário mínimo oficial, as negociações coletivas ou as políticas públicas.
O indicador funciona como uma referência para mostrar quanto um trabalhador precisaria ganhar em determinado território para contribuir com a manutenção adequada de sua família.


