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Investigado por suposto golpe milionário, herdeiro dos Zahran continuará sendo julgado em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter em Campo Grande a ação penal que apura um suposto esquema de estelionato que teria causado prejuízo superior a R$ 5 milhões a um casal de investidores do interior de São Paulo. Entre os réus está o empresário Camillo Gandi Zahran Georges, integrante da família Zahran, considerada uma das mais abastadas e conhecidas do setor empresarial sul-mato-grossense.

A decisão foi proferida pelo juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, que rejeitou o pedido da defesa para transferir ou unificar o processo com uma investigação conduzida pela Polícia Civil em São José do Rio Preto (SP).

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual, Camillo e outros quatro acusados teriam utilizado uma relação de confiança e proximidade pessoal para convencer as vítimas a investir em supostos negócios de alta rentabilidade, incluindo operações ligadas à comercialização e exportação de ouro.

De acordo com a acusação, os aportes financeiros ocorreram entre 2023 e 2024. Em uma das operações, o casal teria investido cerca de R$ 2,5 milhões sob a promessa de retorno financeiro mensal. No entanto, os rendimentos nunca teriam sido pagos.

Posteriormente, as vítimas teriam sido informadas de que os recursos haviam sido perdidos na atividade de garimpo. Mesmo diante da promessa de ressarcimento, os valores não foram devolvidos, o que levou ao ajuizamento de medidas judiciais.

A investigação aponta ainda que, após o surgimento dos primeiros questionamentos, foi firmado um instrumento de confissão de dívida entre as partes. Conforme os autos, parte dos compromissos assumidos não teria sido cumprida.

O Ministério Público sustenta que os recursos recebidos das vítimas teriam sido transferidos para contas de terceiros e de empresas ligadas ao grupo investigado, prática que, segundo a acusação, teria sido utilizada para dificultar o rastreamento da movimentação financeira.

Pedido negado

A defesa de Camillo Zahran argumentou que existe uma investigação em andamento no interior de São Paulo envolvendo fatos semelhantes e pediu que os procedimentos fossem reunidos em uma única tramitação judicial.

Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que não há elementos suficientes para justificar a unificação dos processos neste momento. Entre os argumentos apresentados está o fato de que a apuração paulista ainda se encontra em fase investigativa e sequer resultou em ação penal.

Na decisão, o juiz destacou que a reunião dos procedimentos poderia causar atraso na tramitação do processo em Mato Grosso do Sul e comprometer a celeridade da instrução criminal.

Com isso, a ação penal seguirá normalmente em Campo Grande, onde os acusados respondem às imputações de estelionato e associação criminosa.

A decisão foi publicada na última sexta-feira (12) no Diário da Justiça.

Em manifestações anteriores, o Grupo Zahran informou que Camillo Georges não possui vínculo societário ou participação na gestão das empresas pertencentes ao conglomerado empresarial, que possui, entre outras empresas as TVs Morena e Centro América, Copagaz e Liquigás.

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