Depois de um primeiro semestre marcado por frentes frias intensas, Mato Grosso do Sul se prepara para enfrentar um cenário climático completamente diferente. A tendência para o segundo semestre é de temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes e um comportamento irregular das chuvas, reflexos do retorno gradual do fenômeno El Niño.
O mais recente boletim do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) aponta que o trimestre entre julho e setembro deverá registrar um padrão climático atípico. Embora a previsão indique volumes de chuva próximos ou até ligeiramente acima da média em parte do Estado, a distribuição dessas precipitações será bastante irregular, alternando episódios concentrados de chuva com longos períodos de estiagem.
Essa combinação preocupa especialistas porque favorece o ressecamento da vegetação, aumenta a ocorrência de queimadas e exige atenção redobrada de produtores rurais, empresas florestais e órgãos ambientais.

Primavera pode concentrar os maiores impactos
O El Niño foi oficialmente confirmado em junho pela agência meteorológica norte-americana NOAA e deve ganhar intensidade ao longo dos próximos meses. Inicialmente classificado como fraco a moderado, o fenômeno poderá atingir intensidade forte entre a primavera e o início do verão.
Os efeitos esperados para Mato Grosso do Sul incluem temperaturas persistentemente elevadas, maior frequência de ondas de calor e alterações no comportamento das chuvas, fatores que aumentam a possibilidade de extremos climáticos.
Historicamente, entre julho e setembro, as temperaturas médias variam entre 24°C e 26°C na maior parte do Estado. Neste ano, porém, os meteorologistas projetam índices acima desses valores, especialmente nas regiões centro, norte e leste.
Para um Estado que concentra grandes áreas de produção agrícola, pecuária e florestas plantadas, o cenário exige planejamento e monitoramento permanente.

Prevenção é prioridade para evitar focos de incêndios
Com o aumento do risco de incêndios florestais, iniciativas de conscientização ganham ainda mais relevância. É o caso da campanha “Fogo Zero. Futuro Verde!”, promovida pela Reflore-MS, que chegou em 2026 à sua 14ª edição.
Ao longo do ano, a campanha mobiliza empresas do setor florestal, instituições públicas e a população para reduzir as ocorrências de incêndios, responsáveis por prejuízos ambientais, econômicos e sociais.
Além da instalação de outdoors em rodovias estratégicas, a iniciativa mantém uma ampla estrutura de prevenção. Entre as ações estão cerca de 200 torres de monitoramento distribuídas em áreas florestais, compartilhamento de aeronaves para identificação e combate aos focos de incêndio, integração entre empresas por meio do sistema de ajuda mútua e utilização conjunta de tratores e máquinas pesadas nas operações.
Segundo o presidente da Reflore-MS, Júnior Ramires, a prevenção continua sendo a ferramenta mais eficiente para proteger um setor que hoje figura entre os principais motores da economia sul-mato-grossense.
“O crescimento da atividade florestal traz também uma responsabilidade maior. Investimos continuamente em tecnologia, monitoramento e integração das equipes porque combater o fogo começa muito antes do primeiro foco de incêndio”, destaca.

Responsabilidade precisa ser compartilhada
Especialistas lembram que a maior parte dos incêndios florestais tem origem em ações humanas, muitas delas acidentais e evitáveis. Bitucas de cigarro lançadas às margens das rodovias, queimadas irregulares, descarte inadequado de resíduos e uso indiscriminado do fogo continuam entre as principais causas das ocorrências.
Em um ano marcado pelo fortalecimento do El Niño, pequenas atitudes da população podem fazer grande diferença para evitar prejuízos à biodiversidade, à produção rural e à saúde pública.
Mais do que uma campanha institucional, a mensagem da Reflore-MS resume o desafio que Mato Grosso do Sul terá pela frente nos próximos meses: prevenir continua sendo o caminho mais eficiente para proteger vidas, preservar o meio ambiente e garantir um futuro mais sustentável.


