Produção de ferro-gusa deve ser interrompida em 11 de dezembro; número de trabalhadores afetados ainda será discutido com o sindicato
A disputa pelo eucalipto entre diferentes setores industriais colocou em risco a continuidade de uma siderúrgica em Ribas do Rio Pardo. A Vetorial anunciou que pretende interromper a produção de ferro-gusa no município em 11 de dezembro, pouco mais de cinco anos depois de reativar a unidade.
A decisão foi comunicada na quarta-feira (4) ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá (STISC). A empresa confirmou que haverá redução do quadro, mas ainda não revelou quantos empregados perderão os postos.
Segundo a Vetorial, a fábrica enfrenta dificuldades para receber carvão vegetal em quantidade suficiente e a preços que mantenham a operação economicamente viável. O insumo alimenta os altos-fornos utilizados na fabricação do ferro-gusa.
A companhia atribui o problema à crescente procura pela madeira de eucalipto. Além da produção de carvão para a siderurgia, a matéria-prima abastece fábricas de celulose e passou a ser utilizada na geração de energia por usinas de etanol de milho.
A situação se arrasta há aproximadamente um ano. Nesse período, a Vetorial avaliou diferentes fornecedores e até a possibilidade de utilizar insumos importados, mas afirma não ter encontrado uma alternativa capaz de assegurar regularidade e custo competitivo.
O comunicado também menciona despesas operacionais elevadas, dificuldades logísticas e retração de atividades ligadas aos setores siderúrgico e mineral.
O encerramento da produção não significa que todos os trabalhadores serão dispensados. A empresa informou que poderá transferir parte da equipe para outras unidades ou atividades do grupo.
O número de empregados atingidos, as funções afetadas, o calendário dos desligamentos e eventuais medidas de apoio deverão ser apresentados em reunião com o sindicato. Conforme a comunicação encaminhada pela empresa, nenhuma demissão coletiva decorrente do fechamento deverá ocorrer antes da participação da entidade sindical.
A unidade voltou a funcionar em agosto de 2021, depois de permanecer paralisada por sete anos. Na retomada, o investimento foi estimado em R$ 25 milhões, com a geração de aproximadamente 194 empregos. O total atual de trabalhadores ainda não foi informado.
Além dos empregos diretos, a operação movimenta transportadoras, fornecedores de madeira e carvão, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais. Por isso, o impacto de uma eventual paralisação tende a alcançar outros setores da economia municipal.
Prefeitura tenta evitar encerramento
A Prefeitura de Ribas do Rio Pardo iniciou uma articulação para tentar manter a siderúrgica em funcionamento ou, ao menos, reduzir os efeitos do fechamento.
O prefeito Roberson Moureira procurou representantes da Vetorial e do Governo de Mato Grosso do Sul. Uma reunião deve ser realizada na próxima semana, com participação prevista da administração municipal, da empresa, do Estado e de representantes do setor florestal.
O objetivo será avaliar alternativas para garantir o abastecimento da fábrica antes de 11 de dezembro. Até que uma solução seja apresentada, permanece válida a programação de encerramento da produção.
O caso expõe um efeito da rápida transformação econômica de Ribas do Rio Pardo. O município tornou-se um dos principais polos da indústria de celulose, ao mesmo tempo que outras atividades consumidoras de madeira precisam disputar a mesma base florestal.
A situação também evidencia que o crescimento dos plantios não elimina automaticamente os problemas de abastecimento. Distância entre as florestas e as fábricas, preço da madeira, custo do transporte, capacidade de produção de carvão e contratos de longo prazo influenciam a viabilidade de cada operação.
Para a Vetorial, esses fatores tornaram a unidade de Ribas do Rio Pardo insustentável nas condições atuais. A tentativa do município agora é encontrar uma saída antes que a escassez de insumos se transforme definitivamente em perda de empregos e redução da atividade industrial local.


