O novo mapa do crescimento populacional de Mato Grosso do Sul passa por Três Lagoas. Maior município do leste do Estado, a cidade ganhou 29.953 habitantes em uma década e respondeu sozinha por mais da metade da expansão registrada nos 11 municípios do Bolsão.
A população três-lagoense passou de 115.561 pessoas, em 2016, para 145.514 em 2026, aumento de 25,92%, conforme as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse contingente equivale a incorporar, em dez anos, uma cidade maior do que muitos municípios sul-mato-grossenses.
No período mais recente, entre 2025 e 2026, Três Lagoas acrescentou 1.991 moradores à estimativa, crescimento anual de 1,39%. Foi o maior avanço em números absolutos entre as cidades da região.
Hoje, quatro em cada dez moradores do Bolsão vivem em Três Lagoas. A cidade concentra 43,3% dos 336.073 habitantes contabilizados nos 11 municípios.

Indústria transforma Três Lagoas em polo de atração
O crescimento populacional acompanha a consolidação de Três Lagoas como principal centro industrial, logístico, comercial e de serviços do leste de Mato Grosso do Sul.
Suzano e Eldorado Brasil formaram no município uma das maiores bases produtoras de celulose do mundo. Ao redor das fábricas, avançou uma extensa cadeia composta por empresas florestais, transportadoras, construtoras, oficinas, fornecedores industriais e prestadores de serviços.
A economia local, porém, não depende exclusivamente da celulose. Três Lagoas possui indústrias alimentícias, frigoríficas, têxteis, químicas, metalúrgicas, de embalagens, fertilizantes, madeira e geração de energia.
A localização próxima a São Paulo, combinada aos corredores rodoviários e ferroviários, ampliou a capacidade de atrair empresas e trabalhadores de diferentes partes do país.
Essa estrutura também transformou Três Lagoas em referência regional para saúde, educação, comércio, qualificação profissional e serviços especializados. Mesmo quando o investimento ocorre em outra cidade, parte de seus efeitos econômicos alcança o município.
É o caso do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência. A fábrica de US$ 4,6 bilhões deverá mobilizar fornecedores, trabalhadores e operações logísticas em diferentes pontos do leste estadual. Três Lagoas já participa desse movimento por meio da formação profissional e da cadeia de serviços criada durante seu próprio ciclo industrial.

Região cresce, mas desafio agora é urbano
Impulsionado principalmente por Três Lagoas, o Bolsão ganhou 55.511 habitantes desde 2016. A população regional saltou de 280.562 para 336.073 pessoas, avanço de 19,79% — mais que o dobro dos 9,84% registrados em Mato Grosso do Sul.
O ritmo continuou acelerado entre 2025 e 2026. A região cresceu 1,11%, diante de 0,74% no Estado e 0,37% no país.
Além de Três Lagoas, Chapadão do Sul se destacou com a maior alta proporcional: 51,97% em dez anos. Selvíria cresceu 36,56%; Água Clara, 23,14%; e Aparecida do Taboado, 22%.
O avanço, entretanto, não alcançou todos os municípios da mesma maneira. Brasilândia, Cassilândia e Santa Rita do Pardo perderam moradores na comparação com 2016, demonstrando que investimentos e oportunidades continuam concentrados em determinados polos.
Em Três Lagoas, a expansão traz ganhos para o comércio, a construção civil, o mercado imobiliário e a arrecadação. Ao mesmo tempo, amplia a demanda por moradia, saúde, educação, segurança, mobilidade, água e saneamento.
A cidade que conduziu o crescimento regional na última década enfrenta agora o desafio de transformar população e investimentos em qualidade de vida.
Mais do que continuar crescendo, Três Lagoas precisará garantir que sua infraestrutura acompanhe o tamanho da influência que passou a exercer sobre todo o leste de Mato Grosso do Sul.


