Três Lagoas deverá adotar uma nova estratégia de enfrentamento à dengue, à Zika e à chikungunya. Representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde e da Wolbito do Brasil apresentaram, na quinta-feira (20), o planejamento para a implantação do Método Wolbachia no município.
A reunião foi realizada no gabinete do prefeito Cassiano Maia e também contou com representantes das secretarias estadual e municipal de Saúde, além da Diretoria de Vigilância em Saúde de Três Lagoas.
Selecionada pelo Ministério da Saúde para receber a iniciativa, a cidade terá 12 bairros inicialmente contemplados. A definição das áreas ocorreu após um estudo de campo e considerou principalmente a concentração de casos de dengue.
Serão atendidos Paranapungá, Jardim das Acácias, Jardim da Lapa, Bela Vista, Centro, Santa Luzia, Santa Terezinha, Nossa Senhora Aparecida, Vila Guanabara, Osmar Ferreira Dutra, São João e Vila Zuque.
Como funciona a estratégia
O método consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, encontrada naturalmente em mais da metade das espécies de insetos.
Dentro do organismo do mosquito, a bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus responsáveis pelas arboviroses. Com isso, o Aedes aegypti passa a apresentar menor capacidade de transmitir dengue, Zika e chikungunya.
Quando os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com a população local de Aedes aegypti, a bactéria é transmitida às gerações seguintes. A proposta é ampliar gradualmente sua presença no ambiente e estabelecer uma proteção contínua nas áreas contempladas.
A iniciativa é conduzida pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde e operacionalizada pela Wolbito do Brasil. O método não substitui as ações já realizadas contra o mosquito, como a eliminação de criadouros, a fiscalização e a orientação dos moradores. A tecnologia deverá funcionar de forma complementar às medidas existentes.
Experiências em outras cidades
Durante a reunião, a coordenadora de operações da Wolbito do Brasil, Tamila Kleine, apresentou resultados observados em municípios que já utilizam a estratégia.
Em Niterói, no Rio de Janeiro, a implementação foi associada a reduções de 89% nos casos de dengue, 60% nos registros de chikungunya e 37% nas ocorrências de Zika.
Em Campo Grande, os primeiros resultados apresentados apontam diminuição de 63% nos casos de dengue nas áreas acompanhadas.
O prefeito Cassiano Maia afirmou estar otimista com a adoção do método em Três Lagoas. “Tenho certeza de que será um sucesso a implantação do Método Wolbachia em Três Lagoas e, em breve, seremos um município que receberá os frutos desse trabalho”, declarou.
As próximas etapas deverão envolver o planejamento operacional, a comunicação com os moradores e a definição do cronograma de liberação dos mosquitos nos bairros selecionados.


