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Temporal fora do padrão de julho reforça alerta para extremos climáticos em MS

Campo Grande acumulou quase 42 milímetros de chuva em duas horas; El Niño já está estabelecido e deve ganhar força nos próximos meses

A combinação de calor elevado e instabilidade atmosférica provocou uma tempestade intensa em Campo Grande na manhã desta quinta-feira (30). Alagamentos, quedas de árvores e danos em estruturas foram registrados em diferentes regiões da cidade após a chuva começar por volta das 4h30.

Em apenas duas horas, o volume acumulado chegou a 41,8 milímetros. As rajadas de vento alcançaram 53,3 quilômetros por hora até as 7h, enquanto raios, trovoadas e queda de granizo acompanharam o temporal.

A ocorrência chama atenção por acontecer em julho, historicamente um dos meses menos chuvosos de Mato Grosso do Sul. Segundo o meteorologista Natálio Abrão, tempestades com forte atividade elétrica não são comuns nesta época do ano.

Antes da chegada da chuva, o Estado enfrentou dias de temperaturas elevadas. O aquecimento contribuiu para aumentar a energia disponível na atmosfera, favorecendo a formação de nuvens carregadas.

Aágua invadiu ruas e alcançou calçadas em bairros como Jardim Los Angeles, Universitário, Aero Rancho e Rita Vieira. Também houve registros de enxurradas nas avenidas Gunter Hans e Afonso Pena.

Galhos caíram no Gu anandi, enquanto rajadas derrubaram estruturas metálicas instaladas na região do Nova Lima. O volume de água também elevou rapidamente o nível de córregos, ampliando o risco de transbordamentos em áreas vulneráveis.

El Niño já está estabelecido

Diferentemente do que indicavam projeções elaboradas no começo do ano, o El Niño não está mais apenas em formação. O Instituto Nacional de Meteorologia informou, em junho, que as condições do fenômeno já estavam estabelecidas no Oceano Pacífico Equatorial.

A expectativa é que o aquecimento das águas do Pacífico avance durante o segundo semestre e possa alcançar forte intensidade na primavera. O fenômeno altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo.

Isso, entretanto, não permite afirmar que uma tempestade específica tenha sido causada exclusivamente pelo El Niño. O próprio Cemtec ressalta que o fenômeno atua em conjunto com outros sistemas atmosféricos e que seus efeitos sobre Mato Grosso do Sul ocorrem de maneira indireta.

As projeções climáticas apontam temperaturas próximas ou superiores à média histórica nos próximos meses. Também existe possibilidade de chuvas ligeiramente acima do normal em parte do Estado, mas com distribuição irregular.

Na prática, isso significa que Mato Grosso do Sul poderá alternar intervalos prolongados de estiagem com grandes volumes de chuva concentrados em poucas horas. Para o trimestre, os acumulados projetados variam entre 100 e 200 milímetros em grande parte do território e podem alcançar de 200 a 300 milímetros no extremo sul.

Já o norte, nordeste e noroeste devem receber volumes menores, entre 50 e 100 milímetros. Nessas áreas, o calor persistente e a redução da umidade aumentam a preocupação com ondas de calor, queimadas e pressão sobre o abastecimento hídrico.

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