O Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande (SECCG) pretende solicitar a mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT) para acompanhar o desligamento de aproximadamente 130 funcionários das Casas Bahia em Mato Grosso do Sul.
Os trabalhadores foram afetados pelo encerramento de sete unidades da rede no Estado. Duas lojas foram fechadas em Dourados, enquanto Campo Grande, Três Lagoas, Ponta Porã, Naviraí e Nova Andradina perderam uma unidade cada.
Segundo o presidente do sindicato, Carlos Santos, há relatos de empregados comunicados sobre a demissão apenas verbalmente, sem entrega imediata de documentos ou orientações claras sobre o pagamento das verbas rescisórias.
“Nosso papel é defender cada um deles e garantir que essa demissão seja feita dentro da lei, com todos os direitos respeitados”, afirmou.
A principal preocupação do SECCG está relacionada à maneira como parte das dispensas teria sido conduzida. O sindicato pretende verificar se todos os procedimentos previstos na legislação trabalhista estão sendo cumpridos e se os funcionários receberão corretamente os valores devidos.
“É lamentável ver uma rede tão importante para o comércio e para o emprego enfrentar essa situação. Aqui no nosso Estado, aproximadamente 130 famílias ficaram desassistidas”, declarou Carlos Santos.
O dirigente acrescentou que a ausência de documentação aumenta a insegurança entre os trabalhadores, especialmente diante das dúvidas sobre prazos, benefícios e demais direitos associados ao encerramento dos contratos.
A entidade informou que permanecerá disponível para orientar os empregados de Campo Grande e prestar esclarecimentos sobre os procedimentos necessários. O pedido de mediação ao MPT deverá buscar uma solução coletiva para os desligamentos.
Crise provoca fechamento de lojas em todo o país
A redução da operação em Mato Grosso do Sul faz parte de uma reestruturação nacional das Casas Bahia. A empresa anunciou o encerramento de 298 lojas e a dispensa de cerca de 3 mil trabalhadores em diferentes estados.
Com dívidas superiores a R$ 13 bilhões, a varejista apresentou pedido de recuperação judicial no domingo (16). O mecanismo permite que empresas em crise tentem reorganizar suas obrigações financeiras sob supervisão da Justiça, buscando preservar parte das atividades e negociar os débitos com credores.
Mesmo diante da crise, o presidente do SECCG afirmou esperar que a rede consiga se recuperar e retomar a geração de empregos.
“Torcemos para que as Casas Bahia superem essa crise e voltem a gerar empregos, porque uma rede forte é boa para o trabalhador, para o comércio e para toda a sociedade”, completou.
As possíveis irregularidades mencionadas pelo sindicato ainda deverão ser analisadas. O pedido de mediação não representa, por si só, uma confirmação de descumprimento da legislação pela empresa.


