Mato Grosso do Sul

Saúde pública de MS ganha destaque nacional com dois hospitais entre os 100 melhores do SUS

Mato Grosso do Sul marcou presença, ainda que de forma tímida, em um levantamento nacional que identificou os cem hospitais públicos de melhor desempenho do Brasil. Apenas duas unidades do Estado aparecem na lista que servirá de base para o Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026: o Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, e o Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, em Ponta Porã.

O estudo foi conduzido pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), com apoio de instituições de referência na área da saúde, como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/MS), o Instituto Ética Saúde (IES), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O objetivo é mapear experiências bem-sucedidas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país.

A inclusão do Hospital Magid Thomé no ranking nacional projeta Três Lagoas para além das fronteiras regionais. A unidade, que atende pacientes de diversos municípios da Costa Leste, passa a figurar oficialmente entre os centros de excelência da rede pública brasileira, reforçando seu papel estratégico no atendimento de média e alta complexidade.

Segundo o médico sanitarista Renilson Rehem, idealizador da iniciativa e ex-presidente do Ibross, a lista evidencia que a qualidade no SUS não está concentrada em uma única região.

“O levantamento mostra que há hospitais públicos de excelência espalhados pelo Brasil, representando a diversidade e o potencial do sistema público de saúde”, destacou.

Para compor a seleção, foram considerados apenas hospitais com atendimento integralmente pelo SUS, vinculados a administrações públicas e sem prestação de serviços a planos privados. Entraram na análise unidades gerais — adultas ou pediátricas — e hospitais especializados, todos com mais de 50 leitos. Instituições psiquiátricas e de longa permanência ficaram de fora do recorte.

O levantamento revela também um desequilíbrio regional. O estado de São Paulo lidera com cerca de 30% das unidades listadas, seguido por Goiás, com 10%. Mato Grosso do Sul aparece com apenas 2% do total, o mesmo percentual de estados como Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Tocantins — reflexo direto da presença de apenas dois hospitais no ranking.

Os critérios técnicos utilizados foram baseados em dados oficiais do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do Ministério da Saúde, no período de agosto de 2024 a julho de 2025. Entre os indicadores avaliados estão o nível de acreditação hospitalar, taxas de ocupação e mortalidade, disponibilidade de leitos de UTI, tempo médio de internação e parâmetros de gestão.

A etapa atual do estudo é apenas o início do processo. Os cem hospitais selecionados agora avançam para uma nova fase, que inclui pesquisas independentes de satisfação dos pacientes, avaliação de compliance e análise de eficiência, cruzando volume de atendimentos com os recursos financeiros disponíveis.

Ao final dessa triagem, será definido um ranking com os dez melhores hospitais públicos do Brasil. O anúncio dos vencedores e a cerimônia de premiação estão previstos para maio de 2026.

Embora o reconhecimento do Hospital Magid Thomé e da unidade de Ponta Porã represente um avanço importante para a saúde pública sul-mato-grossense, o resultado também escancara o desafio do Estado em ampliar investimentos e qualificar outras unidades, para que mais hospitais possam alcançar padrões de excelência em nível nacional.

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