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Polícia Civil afasta oito agentes investigados por desvio de drogas em MS

Portarias também determinam o recolhimento de armas e documentos funcionais, além do bloqueio de acesso aos sistemas da instituição

Oito integrantes da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul foram afastados compulsoriamente das funções após se tornarem alvos da Operação Infiltrados, investigação que apura o suposto desvio de drogas apreendidas em ações policiais.

As medidas foram publicadas no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (25). Conforme as portarias, os servidores permanecerão afastados enquanto estiverem submetidos à prisão preventiva.

A Polícia Civil também determinou o recolhimento de armas, carteiras funcionais e outros bens pertencentes ao poder público. As credenciais dos investigados nos sistemas institucionais, como o Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo) e o Infoseg, deverão ser suspensas.

Foram afastados:

  • Luiz Carlos de Souza, investigador lotado na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar);
  • Douglas Tobias, investigador do Grupo de Operações e Investigações (GOI);
  • Neverson Vieira de Araújo, investigador da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP);
  • Nelson Ricardo Barros de Oliveira, investigador da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv);
  • Nilton César Sales dos Santos, investigador da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf);
  • Roberto Palmeira da Silva, investigador da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Campo Grande;
  • Marcos André Santos Chaves, investigador lotado na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande;
  • Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, delegado lotado na 6ª Delegacia de Polícia Civil e com passagens pela Denar e pelo Garras.

As conclusões da investigação também deverão ser encaminhadas à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, responsável por analisar eventuais infrações disciplinares atribuídas aos servidores.

O advogado Amilton Ferreira, responsável pela defesa de Hoffman, informou que ainda não teve acesso ao conteúdo integral do processo. Os demais advogados procurados também alegaram desconhecer os autos e, por esse motivo, não apresentaram manifestação sobre as acusações.

Investigação apura retirada de cocaína de delegacias

Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Infiltrados investiga a suspeita de que agentes públicos tenham utilizado seus cargos e o acesso às estruturas policiais para desviar entorpecentes apreendidos, especialmente cocaína.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo teria agido de duas maneiras. Uma delas consistia em registrar oficialmente uma quantidade de droga menor do que a efetivamente recolhida durante as ocorrências. A outra envolvia a retirada direta de entorpecentes armazenados em depósitos de delegacias.

Ainda segundo a investigação, as drogas desviadas eram entregues a integrantes de uma organização criminosa e posteriormente recolocadas no mercado ilegal.

As apurações tiveram início em outubro de 2025, após a identificação de elementos durante as operações Traquetos e Blindspot, igualmente conduzidas pelo Gaeco.

A Operação Infiltrados prevê o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 ordens de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

A ação conta com o apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. Além dos oito policiais civis afastados, integrantes de outras forças de segurança também são investigados.

Ex-policial volta a ser alvo de investigação

O ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo também está entre os alvos da operação. Ele foi demitido da instituição em setembro de 2026, após responder a um processo administrativo disciplinar relacionado à suspeita de desvio e comercialização de cigarros eletrônicos apreendidos.

Augusto havia sido preso em novembro de 2025, em Três Lagoas. Na ocasião, foram encontrados R$ 153,5 mil durante as diligências.

Em agosto de 2026, a Justiça Federal o absolveu das acusações de corrupção ativa e passiva por considerar insuficientes as provas que relacionavam o dinheiro apreendido ao exercício da função pública. A decisão ocorreu na esfera criminal, enquanto a demissão foi aplicada posteriormente no âmbito administrativo.

Agora, o ex-servidor aparece em uma nova investigação, desta vez relacionada ao suposto esquema de retirada e comercialização de drogas apreendidas.

Os mandados de prisão possuem caráter cautelar e não representam condenação. A responsabilidade dos investigados dependerá da conclusão das apurações e das decisões judiciais posteriores.

O que diz a Sejusp

“A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.

A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.

A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram.”

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